{"id":18,"date":"2019-04-03T21:01:35","date_gmt":"2019-04-03T21:01:35","guid":{"rendered":"http:\/\/dimitrivieira.com\/?p=18"},"modified":"2021-05-18T15:28:31","modified_gmt":"2021-05-18T15:28:31","slug":"revisitar-seus-textos-antigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/revisitar-seus-textos-antigos\/","title":{"rendered":"Para desenvolver a Criatividade, voc\u00ea precisa revisitar seus textos antigos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revisitar trabalhos, textos e conte\u00fados mais antigos&nbsp;<strong>n\u00e3o \u00e9 um h\u00e1bito comum.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas vezes, deixamos de faz\u00ea-lo por vergonha, por ach\u00e1-los fracos ou simples demais. Outras, pela cl\u00e1ssica desculpa da falta de tempo, ou mesmo por causa daquela hist\u00f3ria de seguir em frente e esquecer o passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, deixando de fazer isso, estamos perdendo uma oportunidade de ouro para&nbsp;<strong>desenvolver a criatividade e, at\u00e9 mesmo, a genialidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Calma. N\u00e3o estou dizendo que somos g\u00eanios. Pelo menos n\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o mais comum desse termo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma teoria sobre a criatividade e a genialidade, criada por David Galenson \u2014 e que fiquei conhecendo&nbsp;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2EJEMNRNm8ZLmJON58ynrR?si=7MnLqw8PTqKw5KkBDajECA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">gra\u00e7as ao Malcolm Gladwell<\/a>&nbsp;\u2014, que afirma haver duas classes (ou trajet\u00f3rias) para artistas e quem lida com trabalho criativo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"inovadores-de-primeira-tentativa\" class=\"wp-block-heading\">Inovadores de primeira tentativa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os conceitualistas, como chamados por Galenson, tendem a realizar o melhor trabalho e alcan\u00e7ar o auge r\u00e1pido. Trabalham rapidamente, t\u00eam&nbsp;<strong>ideias bem espec\u00edficas sobre o que querem comunicar e articulam sua mensagem de maneira muito clara.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, executam tudo de maneira precisa e meticulosa, e&nbsp;<em>boom<\/em>!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/dms\/image\/C4D12AQF3HZK8PMv02Q\/article-inline_image-shrink_1000_1488\/0?e=1564012800&amp;v=beta&amp;t=AHfXI3hWplroioA5LVI74jLn8K2_07dYpoKw43rBNK4\" alt=\"Pablo Picasso\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pablo Picasso \u00e9 um excelente exemplo. Surgiu no cen\u00e1rio art\u00edstico com seus vinte e poucos anos e, logo de cara, foi capaz de impact\u00e1-lo a ponto de marcar seu nome na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando pensamos em criatividade e genialidade, nomes como o de Picasso costumam vir \u00e0 nossa mente.<\/strong>&nbsp;Mas existe outra trajet\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"inovadores-experimentais\" class=\"wp-block-heading\">Inovadores experimentais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pessoas que n\u00e3o t\u00eam a mesma clareza e objetividade quanto ao que querem comunicar e, assim, acabam assumindo uma metodologia de tentativa e erro \u2014 conscientemente, ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o trabalham r\u00e1pido e fazem in\u00fameros rascunhos, com enorme dificuldade de alcan\u00e7ar a pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<strong>Podem levar uma vida inteira para finalmente desvendar qual mensagem gostariam de transmitir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/dms\/image\/C4D12AQHwTVXLdBhYng\/article-inline_image-shrink_1500_2232\/0?e=1564012800&amp;v=beta&amp;t=Jig1EN7bjdhEMZ3OCuIg05cxpEBHa6TY4BtBRTHVvqA\" alt=\"Pablo C\u00e9zanne\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um excelente exemplo \u00e9 Paul C\u00e9zanne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o mais importante dos pintores impressionistas e respons\u00e1vel por reinventar a arte moderna parisiense no fim do s\u00e9culo XIX, C\u00e9zanne definitivamente era um inovador experimental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas de suas pinturas eram feitas em v\u00e1rias tentativas e, em v\u00e1rias de suas obras, ele&nbsp;<strong>evitava assinar por n\u00e3o querer admitir a si mesmo que havia terminado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os exemplos sejam de pintores, voc\u00ea pode encontrar inovadores experimentais em qualquer campo que procurar.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"dois-exemplos-do-mundo-da-musica\" class=\"wp-block-heading\">Dois exemplos do mundo da m\u00fasica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como exemplos musicais, vou te apresentar&nbsp;<strong>duas composi\u00e7\u00f5es que precisaram ser revisitadas<\/strong>&nbsp;para transmitir suas mensagens devidamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambas com duas vers\u00f5es e uma hist\u00f3ria bem parecida: uma vers\u00e3o original praticamente imposs\u00edvel de escutar e um&nbsp;<em>remake<\/em>, em vers\u00e3o ac\u00fastica, fazendo o primeiro lan\u00e7amento soar como um&nbsp;<em>cover<\/em>&nbsp;mal feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o exemplos pequenos, em torno de 4 minutos cada, e pode at\u00e9 ser que voc\u00ea n\u00e3o goste das m\u00fasicas. Mas, pensando nelas como s\u00edmbolos,&nbsp;<strong>s\u00e3o duas obras que proporcionam prazer a muitas pessoas (comigo inclu\u00eddo) e, se n\u00e3o fossem revisitadas, n\u00e3o existiriam.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira \u00e9 do cantor brit\u00e2nico Frank Turner.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lan\u00e7ada quando ele era vocalista de uma banda de&nbsp;<em>hardcore<\/em>, a vers\u00e3o original de&nbsp;<em>Smiling at strangers on trains&nbsp;<\/em>acabou abafada pela sua necessidade de extravasar a raiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sorte, a letra \u2014&nbsp;<strong>que havia ficado em segundo plano<\/strong>&nbsp;\u2014 foi resgatada e trazida para os holofotes na vers\u00e3o ac\u00fastica:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Frank Turner: Smiling at Strangers on Trains\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K_piFY20Du4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda m\u00fasica \u00e9 de um nome mais conhecido: Elvis Costello.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte de um per\u00edodo bem conturbado do cantor, a vers\u00e3o original de&nbsp;<em>Deportee<\/em>&nbsp;foi lan\u00e7ada em um \u00e1lbum com um nome que deixa claro o momento complicado de Costello:&nbsp;<em>Goodbye, cruel world&nbsp;<\/em>(Adeus, mundo cruel).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felizmente, foi apenas um t\u00edtulo, n\u00e3o uma despedida. E tivemos o&nbsp;<em>remake<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Elvis Costello- &quot;Deportee&quot;\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FIzTXbixEaQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais curioso \u00e9 que as pr\u00f3prias letras parecem sugerir que voc\u00ea revisite seus trabalhos antigos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c&nbsp;<strong>It was the strangest thing today, I saw new footprints in abandoned pathways.<\/strong>(Frank Turner &#8211; Smiling at Strangers on Trains)\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c&nbsp;<strong>And you don\u2019t know where to start or where to stop.<\/strong>&nbsp;(Elvis Costello &#8211; Deportee)\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De um lado, Frank Turner afirma encontrar novas pegadas em caminhos abandonados, sugerindo uma visita ao passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do outro, Costello&nbsp;<strong>n\u00e3o sabe por onde come\u00e7ar, ou terminar. Assim como C\u00e9zanne, ele se recusa a assinar suas obras e prefere n\u00e3o assumir o t\u00e9rmino delas<\/strong>, revisitando-as sempre que necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"na-escrita-nao-e-diferente\" class=\"wp-block-heading\">Na escrita n\u00e3o \u00e9 diferente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao escrever, escolhemos um assunto amplo e mostramos nossa vis\u00e3o sobre um tema dentro dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim,&nbsp;<strong>muitos temas acabam n\u00e3o aparecendo e outros s\u00e3o mencionados de forma bem sutil<\/strong>&nbsp;\u2014 algumas vezes por n\u00e3o caber no contexto e outras, por n\u00e3o ser o momento certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez por falta de dom\u00ednio do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez por falta de coragem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revisitar os textos \u00e9 a melhor forma de encontrar todos esses&nbsp;<em>talvezes&nbsp;<\/em>e, ent\u00e3o, construir sua mensagem aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltando a falar sobre pintura: se for para comparar a escrita de artigos curtos a uma forma de arte, diria que&nbsp;<strong>se parece n\u00e3o com uma pintura, como as de Picasso e C\u00e9zanne, mas com um painel de fotografias&nbsp;<em>Polaroid<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas fotografias revelam imagens n\u00edtidas na primeira tentativa. Outras, saem tremidas, emba\u00e7adas, fora de foco, ou exigem mais de uma tentativa para captar a ess\u00eancia da imagem fotografada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns casos, temos ainda colagens de tr\u00eas fotografias bem mais impactantes e representativas que a imagem n\u00edtida ao seu lado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final, \u00e9 inova\u00e7\u00e3o experimental pura e se torna imposs\u00edvel separar as fotografias do painel.&nbsp;<strong>Todas t\u00eam sua devida import\u00e2ncia e cumprem um papel \u00fanico no que pode ser a sua mensagem, seu marketing pessoal, ou sua estrat\u00e9gia de conte\u00fado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Na escrita de artigos curtos, n\u00e3o existem Picassos.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Somos todos C\u00e9zannes, Turners e Cortellos.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, sabe quando dizem para esquecer o passado, seus erros e nunca olhar para tr\u00e1s? Seguir esse conselho \u00e9&nbsp;<strong>abrir m\u00e3o de desenvolver a sua criatividade e, por que n\u00e3o, a sua genialidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fica a seu crit\u00e9rio: qual artigo (ou trabalho) voc\u00ea precisa revisitar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitar trabalhos, textos e conte\u00fados mais antigos&nbsp;n\u00e3o \u00e9 um h\u00e1bito comum. Algumas vezes, deixamos de faz\u00ea-lo por vergonha, por ach\u00e1-los fracos ou simples demais. Outras, pela cl\u00e1ssica desculpa da falta de tempo, ou mesmo por causa daquela hist\u00f3ria de seguir em frente e esquecer o passado. Mas, deixando de fazer isso, estamos perdendo uma oportunidade de ouro para&nbsp;desenvolver a criatividade e, at\u00e9 mesmo, a genialidade. Calma. N\u00e3o estou dizendo que somos g\u00eanios. Pelo menos n\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o mais comum desse termo. Existe uma teoria sobre a criatividade e a genialidade, criada por David Galenson \u2014 e que fiquei conhecendo&nbsp;gra\u00e7as ao Malcolm Gladwell&nbsp;\u2014, que afirma haver duas classes (ou trajet\u00f3rias) para artistas e quem lida com trabalho criativo. Inovadores de primeira tentativa Os conceitualistas, como chamados por Galenson, tendem a realizar o melhor trabalho e alcan\u00e7ar o auge r\u00e1pido. Trabalham rapidamente, t\u00eam&nbsp;ideias bem espec\u00edficas sobre o que querem comunicar e articulam sua mensagem de maneira muito clara. Assim, executam tudo de maneira precisa e meticulosa, e&nbsp;boom! Pablo Picasso \u00e9 um excelente exemplo. Surgiu no cen\u00e1rio art\u00edstico com seus vinte e poucos anos e, logo de cara, foi capaz de impact\u00e1-lo a ponto de marcar seu nome na hist\u00f3ria. Quando pensamos em criatividade e genialidade, nomes como o de Picasso costumam vir \u00e0 nossa mente.&nbsp;Mas existe outra trajet\u00f3ria: Inovadores experimentais Pessoas que n\u00e3o t\u00eam a mesma clareza e objetividade quanto ao que querem comunicar e, assim, acabam assumindo uma metodologia de tentativa e erro \u2014 conscientemente, ou n\u00e3o. N\u00e3o trabalham r\u00e1pido e fazem in\u00fameros rascunhos, com enorme dificuldade de alcan\u00e7ar a pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o.&nbsp;Podem levar uma vida inteira para finalmente desvendar qual mensagem gostariam de transmitir. Um excelente exemplo \u00e9 Paul C\u00e9zanne. Talvez o mais importante dos pintores impressionistas e respons\u00e1vel por reinventar a arte moderna parisiense no fim do s\u00e9culo XIX, C\u00e9zanne definitivamente era um inovador experimental. Muitas de suas pinturas eram feitas em v\u00e1rias tentativas e, em v\u00e1rias de suas obras, ele&nbsp;evitava assinar por n\u00e3o querer admitir a si mesmo que havia terminado. Embora os exemplos sejam de pintores, voc\u00ea pode encontrar inovadores experimentais em qualquer campo que procurar. Dois exemplos do mundo da m\u00fasica Como exemplos musicais, vou te apresentar&nbsp;duas composi\u00e7\u00f5es que precisaram ser revisitadas&nbsp;para transmitir suas mensagens devidamente. Ambas com duas vers\u00f5es e uma hist\u00f3ria bem parecida: uma vers\u00e3o original praticamente imposs\u00edvel de escutar e um&nbsp;remake, em vers\u00e3o ac\u00fastica, fazendo o primeiro lan\u00e7amento soar como um&nbsp;cover&nbsp;mal feito. S\u00e3o exemplos pequenos, em torno de 4 minutos cada, e pode at\u00e9 ser que voc\u00ea n\u00e3o goste das m\u00fasicas. Mas, pensando nelas como s\u00edmbolos,&nbsp;s\u00e3o duas obras que proporcionam prazer a muitas pessoas (comigo inclu\u00eddo) e, se n\u00e3o fossem revisitadas, n\u00e3o existiriam. A primeira \u00e9 do cantor brit\u00e2nico Frank Turner. Lan\u00e7ada quando ele era vocalista de uma banda de&nbsp;hardcore, a vers\u00e3o original de&nbsp;Smiling at strangers on trains&nbsp;acabou abafada pela sua necessidade de extravasar a raiva. Por sorte, a letra \u2014&nbsp;que havia ficado em segundo plano&nbsp;\u2014 foi resgatada e trazida para os holofotes na vers\u00e3o ac\u00fastica: A segunda m\u00fasica \u00e9 de um nome mais conhecido: Elvis Costello. Parte de um per\u00edodo bem conturbado do cantor, a vers\u00e3o original de&nbsp;Deportee&nbsp;foi lan\u00e7ada em um \u00e1lbum com um nome que deixa claro o momento complicado de Costello:&nbsp;Goodbye, cruel world&nbsp;(Adeus, mundo cruel). Felizmente, foi apenas um t\u00edtulo, n\u00e3o uma despedida. E tivemos o&nbsp;remake: O mais curioso \u00e9 que as pr\u00f3prias letras parecem sugerir que voc\u00ea revisite seus trabalhos antigos: \u201c&nbsp;It was the strangest thing today, I saw new footprints in abandoned pathways.(Frank Turner &#8211; Smiling at Strangers on Trains)\u201d \u201c&nbsp;And you don\u2019t know where to start or where to stop.&nbsp;(Elvis Costello &#8211; Deportee)\u201d De um lado, Frank Turner afirma encontrar novas pegadas em caminhos abandonados, sugerindo uma visita ao passado. Do outro, Costello&nbsp;n\u00e3o sabe por onde come\u00e7ar, ou terminar. Assim como C\u00e9zanne, ele se recusa a assinar suas obras e prefere n\u00e3o assumir o t\u00e9rmino delas, revisitando-as sempre que necess\u00e1rio. Na escrita n\u00e3o \u00e9 diferente Ao escrever, escolhemos um assunto amplo e mostramos nossa vis\u00e3o sobre um tema dentro dele. Assim,&nbsp;muitos temas acabam n\u00e3o aparecendo e outros s\u00e3o mencionados de forma bem sutil&nbsp;\u2014 algumas vezes por n\u00e3o caber no contexto e outras, por n\u00e3o ser o momento certo. Talvez por falta de dom\u00ednio do assunto. Talvez por falta de coragem. Revisitar os textos \u00e9 a melhor forma de encontrar todos esses&nbsp;talvezes&nbsp;e, ent\u00e3o, construir sua mensagem aos poucos. Voltando a falar sobre pintura: se for para comparar a escrita de artigos curtos a uma forma de arte, diria que&nbsp;se parece n\u00e3o com uma pintura, como as de Picasso e C\u00e9zanne, mas com um painel de fotografias&nbsp;Polaroid. Algumas fotografias revelam imagens n\u00edtidas na primeira tentativa. Outras, saem tremidas, emba\u00e7adas, fora de foco, ou exigem mais de uma tentativa para captar a ess\u00eancia da imagem fotografada. Em alguns casos, temos ainda colagens de tr\u00eas fotografias bem mais impactantes e representativas que a imagem n\u00edtida ao seu lado. No final, \u00e9 inova\u00e7\u00e3o experimental pura e se torna imposs\u00edvel separar as fotografias do painel.&nbsp;Todas t\u00eam sua devida import\u00e2ncia e cumprem um papel \u00fanico no que pode ser a sua mensagem, seu marketing pessoal, ou sua estrat\u00e9gia de conte\u00fado. Na escrita de artigos curtos, n\u00e3o existem Picassos. Somos todos C\u00e9zannes, Turners e Cortellos. Ent\u00e3o, sabe quando dizem para esquecer o passado, seus erros e nunca olhar para tr\u00e1s? Seguir esse conselho \u00e9&nbsp;abrir m\u00e3o de desenvolver a sua criatividade e, por que n\u00e3o, a sua genialidade. Fica a seu crit\u00e9rio: qual artigo (ou trabalho) voc\u00ea precisa revisitar?<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-escrita-criativa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dimitrivieira.com\/dimitri26\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}