{"id":4171,"date":"2018-12-10T16:46:00","date_gmt":"2018-12-10T16:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dimitrivieira.com\/?p=4171"},"modified":"2021-05-17T16:49:57","modified_gmt":"2021-05-17T16:49:57","slug":"poder-da-exclusividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dimitrivieira.com\/poder-da-exclusividade\/","title":{"rendered":"O poder da exclusividade: como “contar segredos”\u200b pode te fazer alcan\u00e7ar milhares de leitores"},"content":{"rendered":"\n
Antecipar quando algo vai cair nas gra\u00e7as do p\u00fablico e viralizar \u00e9 um dos maiores desafios para qualquer produtor de conte\u00fado. <\/strong>N\u00e3o apenas de artigos, mas tamb\u00e9m m\u00fasicas, filmes e, basicamente, qualquer tipo de produto.<\/p>\n\n\n\n Temos exemplos de alguns fen\u00f4menos como Gangnam Style, que surgiu do nada e, hoje, j\u00e1 tem mais de 3 bilh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube.<\/p>\n\n\n\n Mas tamb\u00e9m temos exemplos como o Esquadr\u00e3o Suicida \u2014 uma superprodu\u00e7\u00e3o que gerou enorme expectativa, mas n\u00e3o foi capaz de correspond\u00ea-la e frustrou milhares de f\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n \u2018Aquilo tornou-se um viral\u2019 se tornou uma forma chique de dizer \u2019isso cresceu r\u00e1pido demais e n\u00e3o sabemos ao certo o que aconteceu\u2019 (Derek Thompson).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n Para entender melhor o que pode diferenciar verdadeiros fen\u00f4menos culturais de conte\u00fados esquecidos, estudei duas obras liter\u00e1rias:<\/p>\n\n\n\n Os dois livros apresentam propostas similares e se complementam muito bem, proporcionando uma verdadeira viagem pelo \u00faltimo s\u00e9culo da cultura pop e decifrando como conquistar a mais valiosa moeda do s\u00e9culo XXI \u2014 a aten\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Um dos elementos destacados que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o sentimento de exclusividade<\/strong> e, para te explicar essa ideia, ser\u00e1 mais f\u00e1cil com uma hist\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n Esta \u00e9 a Crif Dogs<\/strong>, uma lanchonete nova-iorquina de cachorros-quentes.<\/p>\n\n\n\n Julgando pela fachada, voc\u00ea n\u00e3o ver\u00e1 nada demais. Nem dentro da dogueria<\/em>.<\/p>\n\n\n\n Numa visita ao local, veremos pessoas sentadas com seus hot dogs, refrigerantes e condimentos, al\u00e9m de uma poss\u00edvel fila em frente ao caixa, j\u00e1 que a Crif Dogs foi premiada algumas vezes como o melhor cachorro-quente de NY.<\/p>\n\n\n\n Nada fora dos padr\u00f5es, a n\u00e3o ser uma antiga cabine telef\u00f4nica posicionada num canto<\/strong>, que salta aos olhos como uma op\u00e7\u00e3o de decora\u00e7\u00e3o bem exc\u00eantrica.<\/p>\n\n\n\n E se voc\u00ea for curioso a ponto de entrar na cabine, encontrar\u00e1 um telefone e a seguinte mensagem:<\/p>\n\n\n\n Seja bem-vindo. Esse telefone \u00e9 a nossa campainha. Disque 1 e j\u00e1 te receberemos. Obrigado!<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n Discando o n\u00famero, abre-se uma porta aos fundos da cabine e voc\u00ea entra em um bar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Os donos da lanchonete tinham licen\u00e7a para vender bebidas alco\u00f3licas, mas n\u00e3o quiseram simplesmente acrescentar uma se\u00e7\u00e3o ao card\u00e1pio para utiliz\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n Isso teria aumentado os lucros deles tamb\u00e9m, mas n\u00e3o seria not\u00e1vel e n\u00e3o incitaria as pessoas a falarem sobre o local.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Em vez disso, um dos donos decidiu transformar uma cabine de telefone antiga em uma porta secreta para um bar. E o nome desse bar n\u00e3o poderia ser melhor:<\/p>\n\n\n\n Please Don\u2019t Tell<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n Eu nem cheguei a visitar o lugar, n\u00e3o consegui me conter e estou te contando sobre ele. Imagina como seria a rea\u00e7\u00e3o dos nova-iorquinos que descobriram isso no pr\u00f3prio local.<\/p>\n\n\n\n Sem investir em an\u00fancios, outdoors ou propagandas, os donos criaram uma estrat\u00e9gia impec\u00e1vel de marketing.<\/strong> Afinal, o m\u00e9todo de marketing mais eficaz que existe \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n Inevitavelmente, o bar se tornou um sucesso ainda maior que a lanchonete, devido \u00e0 sua estrat\u00e9gia de (n\u00e3o) divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n Essa \u00e9 a ideia de exclusividade: voc\u00ea deve fazer o seu leitor sentir-se como um insider<\/em>, quase como um c\u00famplice \u2014 como se estivesse lhe contando um segredo que ningu\u00e9m mais sabe.<\/strong><\/p>\n\n\n\n E agora, vem o grande desafio: como colocar isso em pr\u00e1tica e fazer algo parecido nos seus conte\u00fados?<\/p>\n\n\n\n Tenho tr\u00eas cases para te mostrar, mas, primeiro, quero te mostrar uma maneira mais b\u00e1sica de dar esse tom de cumplicidade aos seus textos.<\/p>\n\n\n\n Desde a primeira linha deste texto, estou o tempo inteiro me dirigindo diretamente a voc\u00ea. Sem plural e sem formalidade, para transformar o conte\u00fado numa verdadeira conversa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Assim, a leitura se torna bem mais fluida e consigo ter sua aten\u00e7\u00e3o por mais tempo, mesmo em conte\u00fados longos.<\/p>\n\n\n\n Claro que existem limites e situa\u00e7\u00f5es onde isso n\u00e3o pode ser aplicado. Um conte\u00fado mais formal ou t\u00e9cnico, por exemplo, acaba limitando a utiliza\u00e7\u00e3o desses recursos.<\/p>\n\n\n\n Mas sempre que couber e fizer sentido, converse com o seu leitor e voc\u00ea vai notar que isso realmente faz diferen\u00e7a \u2014 principalmente se o seu objetivo for trabalhar o marketing pessoal no LinkedIn.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Nesse caso, escrever de forma muito impessoal acaba ficando t\u00e9cnico demais e, usar apenas a primeira pessoa assume um tom bastante egoc\u00eantrico que grita \u2014 e ecoa \u2014 por autopromo\u00e7\u00e3o.<\/a><\/p>\n\n\n\n Por outro lado, escrever conversando com seu leitor permite um texto mais intimista, honesto e ainda te ajuda a contar boas hist\u00f3rias<\/strong>, para aproxim\u00e1-lo o m\u00e1ximo poss\u00edvel de um di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n Afinal, trabalhando com um storytelling n\u00e3o romantizado<\/a>, os leitores acabam se identificando, engajando e interagindo muito mais. Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 reparou que relatos pessoais acabam despertando maior envolvimento nos coment\u00e1rios, certo?<\/p>\n\n\n\n Agora, vamos aos cases:<\/p>\n\n\n\n Quando foi lan\u00e7ado, o Orkut n\u00e3o oferecia uma op\u00e7\u00e3o de se cadastrar diretamente na p\u00e1gina inicial e come\u00e7ar a utiliz\u00e1-lo. Era necess\u00e1rio receber um convite.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Ou seja, voc\u00ea precisava conhecer algu\u00e9m que j\u00e1 estava nessa rede para que pudesse fazer parte dela.<\/p>\n\n\n\n Ele n\u00e3o apresentava uma timeline, op\u00e7\u00e3o de bate-papo ou status, al\u00e9m de algumas outras falhas que impossibilitaram sua concorr\u00eancia com o Facebook. Mas na divulga\u00e7\u00e3o inicial, o Orkut acertou em cheio e essa campanha o ajudou a viralizar muito r\u00e1pido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Assim que fiquei sabendo sobre o case da Crif Dogs, decidi que precisava testar algo assim em um texto.<\/p>\n\n\n\n Ent\u00e3o, quando escrevia um artigo sobre a import\u00e2ncia das curtidas para dissemina\u00e7\u00e3o das fake news<\/a>, encontrei a oportunidade perfeita.<\/p>\n\n\n\n Apostei na leitura din\u00e2mica que costumamos fazer dos artigos, al\u00e9m do comportamento disperso dos usu\u00e1rios<\/strong> e inseri um trecho que pedia ao leitor para n\u00e3o curtir um artigo.<\/p>\n\n\n\n Assim, transformei o conte\u00fado em um teste para ver quem realmente havia lido tudo:<\/p>\n\n\n\n O resultado?<\/p>\n\n\n\n Embora o n\u00famero de likes tenha sido superior aos coment\u00e1rios e compartilhamentos, o engajamento alcan\u00e7ado foi muito bom.<\/p>\n\n\n\n Devido ao sentimento de cumplicidade e exclusividade desenvolvido<\/strong> nos par\u00e1grafos que te mostrei e, principalmente, nas frases destacadas, \u00e9 quase certo que o leitor que chegasse a l\u00ea-los iria se manifestar.<\/p>\n\n\n\n Apostei nisso e deu bastante certo, com o pr\u00f3prio LinkedIn divulgando o artigo nas redes sociais:<\/p>\n\n\n\nUma li\u00e7\u00e3o de marketing inacredit\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n
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Uma conversa franca com o seu leitor<\/h2>\n\n\n\n
O Orkut morreu, mas deixou uma bela li\u00e7\u00e3o de marketing<\/h2>\n\n\n\n
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Um teste sobre a dissemina\u00e7\u00e3o de fake news<\/h2>\n\n\n\n
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Divulgando seus conte\u00fados com a ajuda da sua audi\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n