Culto à carga
Culto à carga

Não confunda rituais com resultados: do Culto à Carga ao 5AM Club

Se você deseja ter resultados similares aos de uma pessoa que você admira, um método que pode ajudar é a Modelagem.

Basta procurar entender como essa pessoa trabalha, quais são seus rituais, processos e padrões, e então, passar a repeti-los em sua rotina na esperança de alcançar resultados similares.

Até que ponto vale a pena modelar comportamentos dessa forma?

Os rituais e processos surgem das maneiras mais diversas possíveis e, às vezes, até mesmo bizarras. Alguns nascem para suprir uma necessidade específica na rotina de alguém, enquanto outros podem ser mera extravagância.

Tomando alguns escritores como exemplo:

Jonh Grisham, que antes era advogado, escreveu seu primeiro livro levantando-se todos os dias às 5h para escrever uma página antes de começar a trabalhar.

O autor japonês Haruki Murakami credita boa parte da sua criatividade ao seu hábito de corrida.

Maya Angelou, poetisa americana, costumava reservar um quarto de hotel por um mês e frequentá-lo todos os dias entre 6h da manhã até 13h para escrever.

Victor Hugo, autor de Os Miseráveis, tinha o hábito de escrever nu.

Ernest Hemingway sempre escrevia em pé.

Mark Twain, por outro lado, preferia escrever deitado na cama.

Tenho certeza que algum outro ritual veio à sua mente, mas quero falar sobre um específico e muito curioso que teve origem na 2ª Guerra Mundial.

O Culto à Carga

Em guerra contra o Japão, as tropas norte-americanas desembarcaram em centenas de ilhas no Pacífico Sul para ocupar territórios estratégicos e atacar os japoneses.

Com o objetivo de facilitar a ocupação e não encontrar muita resistência por parte dos nativos, os norte-americanos preferiram ilhas menores e pouco desenvolvidas. Assim, para os ilhéus, aquele era o primeiro contato que tinham com o mundo externo.

De repente, eles se viram dividindo o território com soldados americanos e todo o seu aparato, que incluía jipes, armas, medicina moderna e comida enlatada — tudo isso chegando dos céus e dos mares, em aviões e navios.


“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.”

— Arthur C. Clarke


Quando a guerra acabou, também de repente para os nativos, toda essa magia sumiu. E o que lhes restou fazer? Modelar o ritual que testemunharam para alcançar os mesmos resultados, é claro.

Os ilhéus passaram a construir aviões com madeira e palha, torres de rádio com bambu e vime, fones de ouvido com cascas de coco e microfones com pedaços de graveto. Tudo que os norte-americanos manuseavam para invocar os pássaros de metal ganhou um modelo.

Só que os nativos não sabiam que o que construíram eram apenas modelos falsos.

Afinal, eles não entendiam a utilidade dos equipamentos dos norte-americanos. Apenas observavam os soldados utilizando-os e decidiram repetir o ritual, balbuciando frases no dialeto local em microfones de graveto, enquanto usavam fones de casca de coco.

Com exceção de alguns turistas desembarcando por lá, os nativos ainda não chegaram no resultado desejado. Porém, o ritual se perpetuou em algumas ilhas e, hoje, se tornou um culto — que inclui até mesmo a adoração de John Frum.


“John Frum é uma figura associada ao culto à carga nas ilhas de Tanna, Vanuatu, na Melanésia. Ele é descrito como um soldado estadunidense da Segunda Guerra Mundial, que trará saúde e prosperidade para as pessoas que o seguirem.”

Definição da Wikipédia


Dia de John Frum sendo celebrado na ilha de Tanna.

O raciocínio do Culto à Carga

Por mais bizarra seja a cena dos nativos tentando invocar navios e aviões com seus modelos rústicos falsos, o raciocínio do culto à carga se perpetuou — e não apenas nas pequenas ilhas do Pacífico.

Toda vez que seguimos um processo, um ritual ou mesmo instruções tomando como base o resultado sem sabermos suas utilidades e razões para funcionarem, adotamos uma linha de raciocínio bem similar à dos ilhéus.

Portanto, não adote cegamente tudo o que encontrar por aí. Ou caso queira melhorar sua escrita, você pode acabar numa rotina que envolve levantar às 5h da manhã para correr e, então, chegar em um quarto de hotel que você reservou por um mês, para escrever sem roupas e revezando sua posição: ora em pé, ora deitado na cama.

Antes de seguir qualquer processo, procure analisá-lo, entendê-lo e testá-lo para ver se faz sentido para você.

Em alguns casos, eles vão te ajudar a descansar, render mais ou até te inspirar.Em outros, apenas vão render olheiras, cansaço e te deixar numa situação bem próxima a alçar voo num avião de bambu.


Principais referências e inspirações

Sou um escritor e produtor de conteúdo, especializado em Escrita Criativa, Storytelling e LinkedIn para Marcas Pessoais. Minhas maiores paixões sempre foram a música, o cinema e a literatura. Escrevendo textos na internet, consegui unir o melhor desses três universos, e o que era um hobby acabou me transformando em LinkedIn Top Voice e, hoje, se tornou minha profissão.

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