Tenha cuidado com o que você ‘curte’. As fake news são apenas o começo do problema
Tenha cuidado com o que você ‘curte’. As fake news são apenas o começo do problema

Tenha cuidado com o que você ‘curte’. As fake news são apenas o começo do problema

Na graduação, tive um professor que adorava criticar o fato de que nós, alunos, assinávamos qualquer documento que ele passasse em sala, de carteira em carteira, sem nem ler sobre o que se tratava.

Ele avisava. E dizia que passaria uma lista, em algum momento do semestre, constando que todos que assinassem estavam concordando em ser reprovados sem direito a qualquer recurso. Ao que todos imediatamente afirmavam que jamais cairiam nessa.

Então, no dia da avaliação final, lá estava ele com a bendita lista em mãos circulando na sala, de aluno em aluno e mais da metade assinou. Comigo incluso.

Claro que ninguém era reprovado por isso e tudo não passava de uma brincadeira, que servia para satisfazer ao ego do professor. Mas também servia de alerta.

Desde esse dia, passei a prestar bem mais atenção em qualquer pedaço de papel que exigisse minha assinatura ou rubrica. Fosse ele um documento, uma lista, ou mesmo alguma outra coisa aparentemente irrelevante.

Ainda não vi um teste desse formato em redes sociais, mas tenho certeza que vários likes seriam colhidos. Porém, é claro que:

Uma curtida não é tão grave quanto uma assinatura

Embora existam alguns casos, dificilmente, você será processado ou cobrado legalmente por algo que curtiu.

Mas pense da seguinte forma: o like é o seu selo de qualidade numa rede social. Assim como um comentário, ou um compartilhamento. É a maneira mais simples e prática de informar à sua rede de conexões que você aprova e recomenda um conteúdo.

Tão simples e prática, que é feita de forma desmedida e pouco pensada, como um ato automático realmente. Quer um exemplo?

A pauta deste artigo me foi sugerida pela Cláudia Cubas, achei interessante e já deixei anotada. Mas no dia seguinte, vi o quanto ela era necessária: publiquei um artigo e, em um dado momento, ele estava com 7 likes e 5 visualizações.

Imaginei que fosse um bug e comentei com uma amiga e colega de trabalho. Ao que ela me respondeu que não havia sequer clicado no artigo, mas curtiu e deixou para ler depois. Em sua defesa, realmente leu.

Ou seja, pelo menos duas pessoas já haviam dado um selo de qualidade para algo que não necessariamente aprovariam. Claro, esse é um caso extremamente pequeno e isolado. Mas imagine em larga escala: é assim que nascem as fake news.

Para algo viralizar, tudo o que precisa é do seu like

E do meu, e das nossas conexões. Assim sucessivamente. Não é exatamente um efeito dominó, pois ele não representa as devidas proporções. Seria mais similar à propagação de ondas na água.

Ao contrário do efeito dominó, uma curtida não alcança uma única pessoa, mas várias e vai propagando como as ondas a partir da gota central. Dependendo do impacto do conteúdo, ele pode propagar por um curto período ou por mais tempo.

Um excelente exemplo de fake news viralizando em curtos períodos são as ações de 1º de Abril. Como o anúncio de uma pasta de dente com sabor de sanduíche pelo Burger King:

Mais uma vez, trata-se apenas de uma brincadeira e não tem efeitos nocivos envolvidos, mas lembre-se:

Autoridades nascem com o seu like

Nesse tópico, é inevitável citar o Matheus de Souza:

“Com as redes sociais, tudo o que você precisa para aumentar seu QI (“quem indica”) é se tornar uma autoridade digital no que faz. Ou fingir ser uma. ( Matheus de Souza)”

E acho que ele entende um pouco sobre se tornar autoridade com base em conteúdo produzido. Ele não apenas se tornou Top Voice, como vive e viaja o mundo sustentado pela sua escrita e sem investir absolutamente nada em mídia paga.

Ok, ele não conquistou tudo isso com likes. Mas com os mais de 180 artigos escritos aqui na plataforma, que por sua vez, foram capazes de engajar milhares (milhões?) de pessoas com likes, comentários e compartilhamentos. E foi esse engajamento que gerou toda essa visibilidade para ele, faz sentido?

Felizmente, o Matheus gera muito valor com seus conteúdos e merece toda a autoridade e credibilidade que conquistou. Ou seja, é outro exemplo sem efeitos nocivos.

Quando falo em autoridade, isso diz muito respeito ao LinkedIn:

Afinal, um usuário com um maior número de seguidores e com publicações que geram maior engajamento, aos olhos de alguém que só o conhece virtualmente, tende a transmitir maior confiabilidade que um outro com valores menores.

Mas vai muito além desta e de outras redes. E quando o conteúdo não gera valor, ou não se trata de uma piada ou brincadeira, aí sim a coisa fica feia.

Negócios nocivos são fechados, falsas autoridades emergem e, como te avisei no título, as fake news são apenas o começo do problema.

Meu objetivo não é levantar nenhuma discussão política por aqui. Esse não é o meu propósito.

Este artigo é basicamente um anúncio de serviço público. Ou um convite para refletirmos e desenvolvermos o senso crítico ao nos depararmos com notícias e conteúdos na rede, sabendo do efeito que uma curtida pode ter.

” Qualquer um pode ser um influenciador, mesmo que não tenha presença digital. Você pode ter poder de influência em um ambiente tão específico quanto o da sua empresa e família ou de maneira ampla como em um contexto de milhares de seguidores em uma rede social. ( Juliana Saldanha)”

Antes de prosseguirmos, atenção. E aqui, peço sua atenção sem exclamação e sem negrito, pois não quero a atenção de todo mundo. Apenas a sua, de quem realmente leu até aqui. Ainda não vi um teste como o que te contei na introdução em redes sociais e estou contando com sua ajuda para fazermos esse experimento. Então, por favor, não curta este artigo.

Como não terei o seu like, a única forma de saber que chegou até aqui é por meio da sua interação: me diga o que acha desse assunto nos comentários e compartilhe para vermos quantos desavisados vão acabar curtindo.

Inclusive, já proponho um bolão: chuto que serão, pelo menos, 20. E você? Calma que, no final deste artigo, farei outra pergunta para você me responder de forma discreta. Agora, uma imagem, um subtítulo e seguimos para a conclusão como se nada tivesse acontecido.

Falando sobre LinkedIn e produção de conteúdo

Em meio à Transformação Digital e rotinas extremamente dinâmicas e apressadas, a principal moeda que podemos ter é a atenção de uma pessoa. E a principal fonte de renda ativa é a confiança dela. *

Se a autoridade não é construída da noite para o dia, a credibilidade já pode ser comprometida em um único tweet.

Isso envolve seu selo de qualidade.

Seu compartilhamento.

Seu comentário.

Seu like.

Confesso que desenvolvi esse senso crítico mais recentemente e, somente esse ano, devo ter curtido, pelo menos, uns 20 conteúdos por aqui sem ler tudo, com o objetivo de “ser visto ou fazer networking”. E você, faz ideia de quantas vezes fez isso em 2018?

Afinal, é sempre bom lembrar do efeito de propagação da gota d’água, do poder de influenciador que todos nós temos e nos fazermos a seguinte pergunta: estou recomendando conteúdos com meu carimbo de aprovação ou apenas distribuindo curtidas?


* Para dar os devidos créditos, a ideia de a principal renda ativa que podemos ter ser a confiança das pessoas foi mencionada em um webinar pelo Pedro Gonçalves.

Mais especificamente, nesse webinar: Como crescer e monetizar seu blog.

Sou um escritor e produtor de conteúdo, especializado em Escrita Criativa, Storytelling e LinkedIn para Marcas Pessoais. Minhas maiores paixões sempre foram a música, o cinema e a literatura. Escrevendo textos na internet, consegui unir o melhor desses três universos, e o que era um hobby acabou me transformando em LinkedIn Top Voice e, hoje, se tornou minha profissão.

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