Para desenvolver a Criatividade, você precisa revisitar seus textos antigos
Para desenvolver a Criatividade, você precisa revisitar seus textos antigos

Para desenvolver a Criatividade, você precisa revisitar seus textos antigos

Revisitar trabalhos, textos e conteúdos mais antigos não é um hábito comum.

Algumas vezes, deixamos de fazê-lo por vergonha, por achá-los fracos ou simples demais. Outras, pela clássica desculpa da falta de tempo, ou mesmo por causa daquela história de seguir em frente e esquecer o passado.

Mas, deixando de fazer isso, estamos perdendo uma oportunidade de ouro para desenvolver a criatividade e, até mesmo, a genialidade.

Calma. Não estou dizendo que somos gênios. Pelo menos não na definição mais comum desse termo.

Existe uma teoria sobre a criatividade e a genialidade, criada por David Galenson — e que fiquei conhecendo graças ao Malcolm Gladwell —, que afirma haver duas classes (ou trajetórias) para artistas e quem lida com trabalho criativo.

Inovadores de primeira tentativa

Os conceitualistas, como chamados por Galenson, tendem a realizar o melhor trabalho e alcançar o auge rápido. Trabalham rapidamente, têm ideias bem específicas sobre o que querem comunicar e articulam sua mensagem de maneira muito clara.

Assim, executam tudo de maneira precisa e meticulosa, e boom!

Pablo Picasso

Pablo Picasso é um excelente exemplo. Surgiu no cenário artístico com seus vinte e poucos anos e, logo de cara, foi capaz de impactá-lo a ponto de marcar seu nome na história.

Quando pensamos em criatividade e genialidade, nomes como o de Picasso costumam vir à nossa mente. Mas existe outra trajetória:

Inovadores experimentais

Pessoas que não têm a mesma clareza e objetividade quanto ao que querem comunicar e, assim, acabam assumindo uma metodologia de tentativa e erro — conscientemente, ou não.

Não trabalham rápido e fazem inúmeros rascunhos, com enorme dificuldade de alcançar a própria satisfação. Podem levar uma vida inteira para finalmente desvendar qual mensagem gostariam de transmitir.

Pablo Cézanne

Um excelente exemplo é Paul Cézanne.

Talvez o mais importante dos pintores impressionistas e responsável por reinventar a arte moderna parisiense no fim do século XIX, Cézanne definitivamente era um inovador experimental.

Muitas de suas pinturas eram feitas em várias tentativas e, em várias de suas obras, ele evitava assinar por não querer admitir a si mesmo que havia terminado.

Embora os exemplos sejam de pintores, você pode encontrar inovadores experimentais em qualquer campo que procurar.

Dois exemplos do mundo da música

Como exemplos musicais, vou te apresentar duas composições que precisaram ser revisitadas para transmitir suas mensagens devidamente.

Ambas com duas versões e uma história bem parecida: uma versão original praticamente impossível de escutar e um remake, em versão acústica, fazendo o primeiro lançamento soar como um cover mal feito.

São exemplos pequenos, em torno de 4 minutos cada, e pode até ser que você não goste das músicas. Mas, pensando nelas como símbolos, são duas obras que proporcionam prazer a muitas pessoas (comigo incluído) e, se não fossem revisitadas, não existiriam.

A primeira é do cantor britânico Frank Turner.

Lançada quando ele era vocalista de uma banda de hardcore, a versão original de Smiling at strangers on trains acabou abafada pela sua necessidade de extravasar a raiva.

Por sorte, a letra — que havia ficado em segundo plano — foi resgatada e trazida para os holofotes na versão acústica:

A segunda música é de um nome mais conhecido: Elvis Costello.

Parte de um período bem conturbado do cantor, a versão original de Deportee foi lançada em um álbum com um nome que deixa claro o momento complicado de Costello: Goodbye, cruel world (Adeus, mundo cruel).

Felizmente, foi apenas um título, não uma despedida. E tivemos o remake:

O mais curioso é que as próprias letras parecem sugerir que você revisite seus trabalhos antigos:

“ It was the strangest thing today, I saw new footprints in abandoned pathways.(Frank Turner – Smiling at Strangers on Trains)”

“ And you don’t know where to start or where to stop. (Elvis Costello – Deportee)”

De um lado, Frank Turner afirma encontrar novas pegadas em caminhos abandonados, sugerindo uma visita ao passado.

Do outro, Costello não sabe por onde começar, ou terminar. Assim como Cézanne, ele se recusa a assinar suas obras e prefere não assumir o término delas, revisitando-as sempre que necessário.

Na escrita não é diferente

Ao escrever, escolhemos um assunto amplo e mostramos nossa visão sobre um tema dentro dele.

Assim, muitos temas acabam não aparecendo e outros são mencionados de forma bem sutil — algumas vezes por não caber no contexto e outras, por não ser o momento certo.

Talvez por falta de domínio do assunto.

Talvez por falta de coragem.

Revisitar os textos é a melhor forma de encontrar todos esses talvezes e, então, construir sua mensagem aos poucos.

Voltando a falar sobre pintura: se for para comparar a escrita de artigos curtos a uma forma de arte, diria que se parece não com uma pintura, como as de Picasso e Cézanne, mas com um painel de fotografias Polaroid.

Algumas fotografias revelam imagens nítidas na primeira tentativa. Outras, saem tremidas, embaçadas, fora de foco, ou exigem mais de uma tentativa para captar a essência da imagem fotografada.

Em alguns casos, temos ainda colagens de três fotografias bem mais impactantes e representativas que a imagem nítida ao seu lado.

No final, é inovação experimental pura e se torna impossível separar as fotografias do painel. Todas têm sua devida importância e cumprem um papel único no que pode ser a sua mensagem, seu marketing pessoal, ou sua estratégia de conteúdo.

Na escrita de artigos curtos, não existem Picassos.

Somos todos Cézannes, Turners e Cortellos.

Então, sabe quando dizem para esquecer o passado, seus erros e nunca olhar para trás? Seguir esse conselho é abrir mão de desenvolver a sua criatividade e, por que não, a sua genialidade.

Fica a seu critério: qual artigo (ou trabalho) você precisa revisitar?

Sou um escritor e produtor de conteúdo, especializado em Escrita Criativa, Storytelling e LinkedIn para Marcas Pessoais. Minhas maiores paixões sempre foram a música, o cinema e a literatura. Escrevendo textos na internet, consegui unir o melhor desses três universos, e o que era um hobby acabou me transformando em LinkedIn Top Voice e, hoje, se tornou minha profissão.

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