Quer escrever melhor? Confira essas 3 técnicas de escrita inspiradas no Cinema e na Escrita de Roteiros
Quer escrever melhor? Confira essas 3 técnicas de escrita inspiradas no Cinema e na Escrita de Roteiros

Quer escrever melhor? Confira essas 3 técnicas inspiradas no Cinema e na Escrita de Roteiros

O cinema e a escrita de roteiros sempre foram grandes inspirações minhas para escrever e estudar sobre Storytelling.

É verdade que nem todas as técnicas desses universos podem ser adaptadas para a escrita de textos para a internet. Mas, neste artigo, trouxe três delas que, não apenas podem ser aplicadas, como podem te ajudar a escrever textos bem melhores.

Para ficar ainda melhor, separei alguns exemplos de trechos de textos, além dos filmes “Um Lugar Silencioso”, de 2018, e “O Homem que Vendeu a sua Pele”, de 2020, para te mostrar, na prática, cada um dos princípios.

E não precisa se preocupar com spoilers não, viu? Além das imagens estáticas que você provavelmente já reparou quando abriu este artigo, não vamos nos aprofundar muito mais na trama desses filmes.

1. Mise-en-Scène

Mise-en-Scène é, literalmente, “colocar em cena” em francês.

No cinema, ela inclui cenário, fotografia, figurinos e atores. E quando bem trabalhada, facilita demais a construção e o desenvolvimento da narrativa.

A imagem estática logo abaixo — retirada do filme O Homem que Vendeu a sua Pele, de 2020 — é um excelente exemplo.

Você não precisa ver o filme, ou apertar o play, para notar que existe um distanciamento e uma separação entre os personagens.

Isso fica bem evidente, só de bater o olho, pela escolha dos planos de filmagem, roupas, cenário e iluminação.

E na hora de escrever conteúdos online, a identidade visual do seu texto pode ter o mesmo efeito.

Quer entender como você pode fazer isso? Separei duas formas para te ajudar.

I. Facilite a leitura dinâmica dos seus textos

Em outras palavras e de forma bem resumida, blocões de texto como esse funcionam para o Saramago.

Para quem compartilha textos na internet, nem tanto.

II. Use mídias e o próprio “design textual” para contar melhor sua história

Muitas pessoas já entenderam a importância das mídias para facilitar a leitura dinâmica, mas poucas as utilizam para construir melhores narrativas.

Ao revisar seu próximo texto, procure entender os pontos que:

  • merecem maior destaque;
  • ficariam melhor explicados com uma imagem (ou gif, ou vídeo);
  • podem ser facilitados por uma analogia visual;
  • ficariam mais chamativos se fossem evidenciados com uma imagem.

Fazendo isso, seus próximos leitores vão entender melhor o que você tem a dizer antes mesmo de apertar o play em seus textos.

Porque, além das palavras, você soube colocar em cena tudo o que precisava.

2. Show, don’t tell

Em vez de dizer algo de forma explícita ou expositiva, mostre e deixe o interlocutor tirar suas próprias conclusões enquanto vive as sensações do que é mostrado.

Para um exemplo direto do cinema, é só dar uma olhada nessa sequência de imagens estáticas da introdução de “Um Lugar Silencioso”:

Sem dizer uma palavra sequer, o filme traz uma ambientação perfeita para começarmos a entender o que se passa.

Depois, em vez de anunciar que “fazer algum barulho seria perigoso”, ele nos mostra os personagens com um cuidado obsessivo para evitar qualquer som.

Fazendo isso, inclusive, com uma edição de som genial para dar atenção a barulhos que geralmente não escutaríamos, “Um Lugar Silencioso” proporciona uma experiência imersiva.

Em vez de ler um relato sobre viver aquela situação, sentimos como se estivéssemos vivendo aquilo ao lado dos personagens.

O filme não entrega de graça e de forma expositiva qual seria a consequência de fazer algum barulho. Em vez disso, ele constrói muita expectativa até que um personagem quebra essa regra.

E advinha só, na escrita também é possível usar o Show, don’t tell de várias formas.

Aqui, vou trazer duas maneiras mais diretas para você poder aplicar logo no seu próximo texto.

I. Se algo é importante, mostre com detalhes

Se um trecho do seu texto narra algo mais importante, mostre isso investindo com detalhes, em vez de adjetivos e advérbios.

Quando preciso citar um exemplo disso em um artigo meu, costumo mencionar o seguinte trecho do texto sobre Sister Rosetta Tharpe, a Mãe do Rock’n Roll:


“Quando começa a tocar, Rosetta está completamente entregue ao momento. Cabeça levemente curvada para trás, olhos para cima, às vezes fechados, e ela entra em comunhão com algo que não podemos ver, mas felizmente podemos ouvir.”


II. Pratique o que você ensina

Esse é o Show, don’t tell da marca pessoal.

Simplesmente dizer é fácil, mas suas ações falam mais alto para expressar seus valores e construir sua marca.

3. Arma de Tchekhov

Criado por Anton Tchekhov, dramaturgo e escritor russo, a Arma de Tchekhov é um princípio dramático que diz o seguinte:

Se você diz no primeiro capítulo que tem um rifle na parede, ele precisa ser disparado no 2º ou 3º ato. Se não for o caso, ele nem deveria estar pendurado ali.

Esse princípio tem duas aplicações bem diretas.

I. Foreshadowing

Quando você “apresenta a arma” em um texto, você pode escondê-la para resgatá-la no momento certo e surpreender o seu leitor.

II. Corte tudo o que não for essencial

Se tem uma arma na parede que passa o texto inteiro ali, será que você precisa mesmo dela?

Como disse muito bem o Graciliano Ramos:

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

— Graciliano Ramos

Um exemplo prático:

Imagine a seguinte introdução para um texto:

“Levantei da cama hoje às 6:50. 50 minutos mais tarde, após perder a batalha para a soneca duas vezes, sem entender direito se o som do despertador era parte do sonho, ou não.

Como precisava escrever, pulei o café da manhã, apertei o play num disco dos Ramones e comecei a encarar a página em branco.”

Algumas armas escondidas nesse trecho:

  • dificuldade para acordar cedo?
  • efeitos nocivos da função soneca?
  • influência da trilha sonora na escrita?
  • bloqueio criativo?

Se o objetivo for contar, por exemplo, como a música te ajuda a ter foco, superar o bloqueio criativo e melhorar sua produção, perfeito. Funciona como foreshadowing.

Agora, imagina se eu tivesse usado essa mesma introdução para, depois, te apresentar 3 técnicas inspiradas no Cinema e na Escrita de Roteiros.

Teria feito alguma diferença para você saber da minha rotina? Não?

Então, podemos tirar a arma da parede. Nem eu, nem você precisamos dela ali.

Agora, é sua vez de colocar em prática e também de me contar aí nos comentários. Qual dessas três técnicas você mais gostou de conhecer?

PS.: Se você me acompanha no Instagram, tem boas chances deste artigo ter soado bem familiar. Isso porque ele nasceu a partir de três publicações que saíram primeiro por lá, com direito à uma bela incrementada no tópico sobre Show, don’t tell.

Se ainda não acompanha meu trabalho na rede vizinha, no Instagram você me encontra como @dimivieira e será um prazer ver você por lá.

Sou um escritor e produtor de conteúdo, especializado em Escrita Criativa, Storytelling e LinkedIn para Marcas Pessoais. Minhas maiores paixões sempre foram a música, o cinema e a literatura. Escrevendo textos na internet, consegui unir o melhor desses três universos, e o que era um hobby acabou me transformando em LinkedIn Top Voice e, hoje, se tornou minha profissão.

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