O perigo por trás do conforto de escrever sobre o que aprendemos
O perigo por trás do conforto de escrever sobre o que aprendemos

O perigo por trás do conforto de escrever sobre o que aprendemos

Este não é um texto sobre o que você deve ou não fazer, nem necessariamente sobre como fazer. Mas sobre o que você deixa de aprender e tem a perder ao insistir em escrever listas de aprendizados recém adquiridos.

Basta navegar um pouco pelo LinkedIn e encontramos um festival de aprendizados. Tudo se torna uma analogia e uma lição de vida, carreira ou empreendedorismo.

Atravessar a rua às pressas enquanto o sinal vermelho do pedestre começa a piscar se torna uma demonstração de superar obstáculos e gestão de tempo.

Tomar banho com água fria propõe uma reflexão sobre como encarar condições adversas com uma nova ótica é capaz de transformar nossas vidas.

E então, chegamos às tendências e à Cultura Pop. Basta surgir um novo evento ou fenômeno que os aprendizados são instantâneos: Bettina, Game of Thrones e pode se preparar para aprender com Thanos e os Vingadores.

A receita do bolo está pronta. É só trocar seu enfeite pelo assunto do momento e pronto. Porém, até que ponto realmente aprendemos algo?

Vamos chegar lá, mas primeiro precisamos entender:

Por que insistimos em escrever lições que aprendemos com outros?

Exige menos esforço, costuma ter um alcance maior por pegar carona em um evento que dialoga com um grande público e, principalmente, porque é muito confortável.

Pensando no universo do Linkedin, quando listei lições que aprendi com o Matheus de Souza e com o Murillo Leal, usei seus nomes como escudo para me esconder de possíveis críticas e apostei na enorme audiência que eles construíram por aqui. Não tinha como errar.

Falando de grandes nomes da Cultura Pop, o processo é semelhante e com dimensões superiores: alcance gigantesco e riscos menores. Mas e os aprendizados?

Como produtor de conteúdo e “escritor de LinkedIn”, sei bem como funciona essa necessidade de nos mantermos relevantes publicando na plataforma.

Quando falta um tema ou assunto para escrevermos, logo apelamos para formas de explorarmos notícias, novidades dos nossos setores e os eventos da Cultura Pop.

Então, surge o que vou batizar de Síndrome do Produtor de Conteúdo — em dois estágios de gravidade.

1. Síndrome do Produtor de Conteúdo Crônica

Quando elegemos o assunto que será abordado, sentamos em frente ao computador com o documento em branco e nos perguntamos: o que aprendi com esse tema?

Então, relembramos e fabricamos uma série de lições que podemos ensinar sobre o assunto. Foi assim que escrevi 2 dos 4 primeiros textos que publiquei no LinkedIn:

Em outras ocasiões, exploramos a Cultura Pop e nos sincronizamos com grandes lançamentos.

A analogia óbvia é a de pegar carona, mas prefiro dizer que se assemelha à relação das rêmoras com o tubarão, de comensalismo. Elas se agarram ao corpo do tubarão para serem transportadas por ele e se alimentarem de seus restos.

Rêmoras e Tubarão na relação de comensalismo

Na introdução, falei para se preparar para aprender com o último filme dos Vingadores — prestes a sair. Então, vamos lá: 7 lições sobre liderança e empreendedorismo que você pode aprender com os heróis da Marvel.

  1. A ética, o propósito e os princípios inabaláveis do Capitão América;
  2. Homem Aranha e sua capacidade de se divertir no trabalho para ter melhores desempenhos;
  3. A resiliência e a inteligência emocional de Thanos para seguir rumo aos seus objetivos, apesar das lágrimas;
  4. A comunicação assertiva e a empatia de Groot;
  5. Homem de Ferro e sua incrível inteligência estratégia para superar situações adversas;
  6. A importância de manter sua equipe unida para aproveitar todo o seu potencial;
  7. Doutor Estranho e sua capacidade de planejamento, ao analisar todos os possíveis cenários antes de agir.

O esqueleto do artigo está pronto. Basta desenvolver cada um dos tópicos com exemplos e trechos do filme. Porém, quantas dessas lições eu realmente aprendi assistindo aos filmes da Marvel? Nenhuma.

Apenas segui a receita de utilizar termos do universo empreendedor e enfeitei o bolo com o assunto atual.

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“A minha vida não é uma receita de bolo, muito provável que a sua também não seja. E mesmo se fosse, não daria certo misturar três ou quatro receitas simultaneamente. O resultado não seria o esperado – o bolo não ficaria gostoso. ( José Carlos Inácio Filho)”

Ao listar aprendizados dessa forma, toda a autenticidade e a criatividade que você poderia explorar para desenvolver um conteúdo único ficam limitadas a como os enfeites serão posicionados no bolo.

Mas pode piorar. Acredite.

2. Síndrome do Produtor de Conteúdo Aguda

Como vimos, tudo pode se tornar uma lição de vida e um conteúdo. No estágio agudo, tudo se torna literalmente um processo de fabricação de conteúdo.

Enquanto estamos acordados, temos o que algumas culturas chamam de “Macaco Mental”, que fica batucando e tagarelando enquanto tenta encontrar sentido em cada evento presenciado.

Quando começamos a produzir conteúdos sobre o que aprendemos, condicionamos esse “Macaco Mental” a transformar tudo o que presenciamos em uma lição que podemos ensinar.

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Dessa forma, enquanto consumimos qualquer tipo de conteúdo, é comum nos encontrarmos tentando pescar pequenos aprendizados.

Qual o perigo nisso?

Enquanto nos preocupamos constantemente com o que podemos ensinar sobre aquele tema, deixamos de lado o que poderíamos aprender com o autor.

Como tudo se torna uma analogia: enquanto focamos em pescar pequenos aprendizados, deixamos de prestar atenção no cardume que se forma.

E como evitar essa Síndrome?

O primeiro passo é bem óbvio: quando for ver um filme, veja o filme. Quando ler um livro, leia. Ao terminar e processar o conteúdo, pode ser que surja uma vontade de escrever sobre e fazer analogias.

Não há problema algum. Basta ir além de falar sobre uma tendência momentânea.

Este é o segundo passo: em vez de pegar carona em um evento específico para alcançar multidões, use-o como ponto de partida para tratar de algo maior.

Não seja uma rêmora.

Em vez de listar aprendizados, apresente seu ponto de vista de forma autêntica. Assim, quando for escrever, você certamente terá algo digno de se compartilhar.

Sou um escritor e produtor de conteúdo, especializado em Escrita Criativa, Storytelling e LinkedIn para Marcas Pessoais. Minhas maiores paixões sempre foram a música, o cinema e a literatura. Escrevendo textos na internet, consegui unir o melhor desses três universos, e o que era um hobby acabou me transformando em LinkedIn Top Voice e, hoje, se tornou minha profissão.

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