Marca Pessoal: o que você precisa entender para começar a construir a sua

Desde que alguns conceitos como Marca Pessoal, Marketing Pessoal e Personal Branding se popularizaram, existe bastante confusão sobre o que significa cada um deles. Se eles são a mesma coisa ou não e, principalmente, como eles se relacionam na prática. Então, já fica aí um spoiler: apesar da similaridade entre os nomes, não são sinônimos. Antes de falarmos sobre o que é uma Marca Pessoal, vale simplificarmos um pouco da confusão que circula por aí. O que não é Marca Pessoal? Autopromoção exagerada Há quem acredita que basta pegar um megafone, gritar para os quatro cantos da internet e do mundo o quanto você é bom, e voilà, temos uma Marca Pessoal forte e consolidada. Independentemente dos resultados e do quanto você é bom de serviço, essa é apenas uma maneira simples de mostrar que seu único interesse é falar de si próprio. E acredito que você vai concordar comigo que essa não é lá uma das melhores maneiras de se construir uma marca confiável, não é mesmo? Falar apenas de trabalho Seguindo essa linha da autopromoção, uma alternativa natural para escapar dela é falar apenas de trabalho. Em vez de se vangloriar explicitamente, você mostra seu trabalho e deixa que as pessoas tirem suas próprias conclusões. Funciona melhor? Sim, mas sua Marca Pessoal vai muito além de postar sobre o que você faz de trabalho. Postar conteúdo na internet Também vai muito mais longe de criar uma publicação e apertar o botão “compartilhar” numa rede social. Claro que postar conteúdo é fundamental, mas, se não existem fundamentos, objetivos e estratégias, suas publicações podem ser apenas tiros no escuro. Ter uma logo para sua marca Outra confusão é a ideia de que ter uma logo seria sinônimo de Marca Pessoal. Apesar de ser um belo passo na construção de uma marca, pela associação visual que ganhamos com o símbolo, também não é garantia de nada. E agora sim, estamos prontos para falar sobre o primeiro dos três conceitos que trouxe no primeiro parágrafo. O que é Marketing Pessoal? Para essa definição, gosto de dar dois passos atrás e começar por Market, mercado em inglês. Com um “ing”, transformamos a expressão em verbo e temos Marketing — que gosto de encarar como um conjunto de ações e ferramentas para inserir uma marca (ou pessoa, no caso de Marketing Pessoal) no mercado. E quando falo em “inserir no mercado”, digo isso num sentido bem próximo de colocar-se numa prateleira, para oferecer serviços e permitir que as pessoas construam uma percepção a partir que veem. É justamente nesse ponto que entra o segundo conceito. O que é Marca Pessoal? Quando falei que postar conteúdo sem fundamentos e objetivos pode ser um tiro no escuro, isso tem tudo a ver com a Marca Pessoal. Porque a marca é basicamente um sistema de crenças, valores e símbolos que representam uma pessoa (ou empresa), seu trabalho e seus serviços. A logo entraria como um dos símbolos e falar do seu trabalho seria apenas uma finalidade. Postar conteúdo é apenas um meio, que entraria em Marketing, e, se você me perguntar, não daria um lugar para a autopromoção exagerada. Onde entra o Personal Branding? No fim das contas, é como se o Marketing Pessoal fosse o “como”; a Marca Pessoal seria o “que” somado ao “por que”; e o Personal Branding entra como a gestão entre os dois. É quando você entende que existe uma marca associada a você e se posiciona de forma estratégia e intencional, para consolidar sua marca através do marketing. E para fechar: Como construir a sua marca do zero? Preciso adiantar que essa é uma pergunta capciosa. Não se constrói uma Marca Pessoal do zero, mas se escava. E isso é uma excelente notícia porque significa que sua marca já existe. Resta apenas entendê-la, identificá-la e trazê-la a tona da melhor forma possível em seu posicionamento: Quando você tem clareza das suas crenças e valores, e entende quais símbolos incorporar na sua comunicação, fica muito mais fácil que as pessoas te encontrem na prateleira com a percepção ideal. Isso não significa agradar a todos que passarão por ali, mas atrair pessoas alinhadas com o que você acredita. Até porque, no fim das contas, o trabalho que não merece críticas também não merece ser aclamado. E o papel do Marketing, ao espalhar ideias, não deve ser de convencer ou ludibriar pessoas a consumir seu produto. Mas sim, encontrar as pessoas que precisam dele. Bônus Este texto é um resumo da aula “Marca Pessoal: o que você precisa entender para começar a construir a sua”, que abre o Módulo 2, sobre Marca Pessoal, do curso de LinkedIn para Marcas Pessoais. Decidi deixar a aula 2 disponível na íntegra para você, que leu até aqui, conferir. É só apertar o play logo abaixo. Essa é apenas a aula introdutória do módulo 2, que recebe o nome de “Planejamento de Marca: preparando o campo de batalha” é um verdadeiro curso intensivo e prático, para você entender como construir e consolidar sua Marca Pessoal. Ele sozinho tem exatamente 1h e 57min de duração e, se eu quisesse, até poderia “embalá-lo” e vendê-lo separado como um curso de Marca Pessoal. Se tiver interesse, clique aqui e dê uma olhada na ementa, para ver que não estou exagerando. E, se você quer construir sua marca pessoal na maior rede profissional do mundo, tenho uma excelente notícia para você. O curso de LinkedIn para Marcas Pessoais está disponível pela metade do preço, até 23:59 do dia 26/11 (vulgo próxima sexta). De R$ 357,00, por R$ 178,50. Só o módulo 2 já poderia valer bem mais que o valor que você irá investir no curso. Se um dos seus objetivos para começar 2022 com tudo é construir sua marca no LinkedIn sem apelar para autopromoção e sem abrir mão de sua essência, esse é o momento. Faça sua inscrição clicando aqui e será um prazer ajudar em sua jornada 🙂
Por que decidi trocar o nome da “Black Friday”?

Talvez você tenha acompanhado a discussão que levantei, tanto no Instagram quanto no LinkedIn, sobre a possibilidade do termo “Black Friday” perpetuar o racismo de alguma forma. Possibilidade em negrito, porque existem diversas possíveis explicações para o nascimento dessa expressão, tornando sua origem inconclusiva. Antes, quero frisar que não estou levantando esse tema para “lacrar”, dizendo que “É isso e pronto! Qualquer pessoa que pensar diferente está errada.” Nem para lecionar sobre racismo. Sei bem que não é meu lugar de fala, porque nunca senti isso na pele. Estou aqui para levantar um diálogo sobre a origem do termo, porque isso eu pesquisei bastante nos últimos dias e conversei muito, com várias pessoas, sobre o assunto. Um ponto bem importante para dizer logo de cara é que a conotação racista não está no uso dos termos “black”, “preto” ou “negro” isolados, mas no contexto de origem da expressão. Por isso, estou batendo tanto nessa tecla. E como é uma expressão que importamos dos EUA, precisamos discutir sua origem por lá. 1. Em 1951, há um registro dela sendo usada de forma pejorativa, para se referir ao grande volume de pessoas matando o trabalho após o dia de Ação de Graças. 2. Nove anos depois, na Filadélfia, a mesma expressão começou a ser utilizada pela polícia para se referir ao caos que acontecia, pelo excesso de pessoas que fazia compras para o Natal após o dia de Ação de Graças. Os lojistas, inclusive, não gostaram da expressão e tentaram emplacar “Big Friday”, que acabou não pegando. E, em 1990, “Black Friday” se tornou um evento popular em todo os EUA. 3. Um registro mais antigo da mesma expressão aconteceu em 1869, para se referir à uma grave crise financeira nos EUA, por conta da queda drástica do valor do ouro. 4. Existe, também, uma possível explicação de ser uma alusão aos lojistas fazerem essa promoção para sair do vermelho no crédito e ir para o azul. Nos EUA, utiliza-se “Black” para essa expressão. 5. Por último, existem debates que cogitam a possibilidade do termo estar relacionado à escravidão. Porém, não encontrei nenhuma referência que confirmasse isso e acredito que, caso isso fosse confirmado, o termo também seria abolido. Apenas trouxe esse último ponto, porque foi um argumento que me apresentaram em algumas das conversas que tive. Sem uma fonte confirmando, vamos nos ater aos 4 primeiros. Quatro possíveis origens. Três trazem conotações pejorativas e uma, apenas uma, traz uma relação positiva à cor preta. Depois de levantar essa discussão, passei a reparar na quantidade de marcas e influenciadores que já estão se movimentando para trocar o nome de suas próprias “Black Fridays”: Avon: Best Friday Natura: Natura Friday M.A.C Cosméticos: Beauty Friday Imaginarium: Color Friday Adidas: Best Fridays Ipiranga: Yellow Friday Americanas: Red Friday Fonte: Exame Se você reparar, outro movimento que também está acontecendo é de promoções que chamam mais atenção para o desconto e o período em que ele acontece. Não necessariamente dando um nome para ele. Você pode dizer que essa discussão é um grãozinho de areia no combate ao racismo. Talvez, seja menos que isso. Existem, sim, incontáveis expressões e situações que merecem maior atenção e combate que a “Black Friday”. Mas acredito que, se discutirmos o “grãozinho de areia”, estamos trazendo uma abertura para dialogar e combater esses casos também. — Ah! Mas o termo sempre foi esse e ninguém nunca reclamou. De repente, tudo virou racismo! Quando algo discutível (para não dizer “errado”) permanece existindo por muito tempo, ela se torna tradição? E essa tradição deve ser imutável? Intocável? Muitas coisas que mudaram, antes, eram dadas como certas e imutáveis. Você se lembra da banheira do Gugu e dos comercias de cerveja dos anos 90? Outro exemplo que não vivi são as propagandas de cigarro, que traziam os maiores astros de Hollywood para te convencer que fumar é bonito. Pois é. Por muito tempo, foram tradição. Hoje, não vão para o ar mais. Então, deixo uma pergunta para você. Se 3 das 4 possíveis origens são pejorativas e existem pessoas negras que se sentem ofendidas pela expressão “Black Friday”, por que não trocá-la? Os nomes precisam ser em inglês? Dos exemplos que eu trouxe, todos são em inglês, você notou? Isso é um forte reflexo da nossa americanização? Sim, mas também é por conta do marketing. É indiscutível a forte marca do termo “Black Friday”. Essas duas palavrinhas sozinhas já te informam:“Desconto grande no final de novembro e, se você está no Brasil, cuidado com as promoções que vendem tudo pela metade do dobro”. “Black Week” e “Black November” também trazem essa mesma conotação, pela similaridade das expressões. Então, quando você decide criar sua própria expressão para a “Black Friday” é um desafio gigantesco chegar em um termo com um significado próximo. E uma saída acaba sendo pegar carona no inglês por conta da similaridade. Para vermos isso, basta fazer uma comparação dos exemplos que trouxe ali em cima com suas versões traduzidas. Quais parecem mais se referir a um desconto? Best Friday ou Melhor Sexta? Sexta Natura ou Natura Friday? Sexta da Beleza ou Beauty Friday? Color Friday ou Sexta Colorida? Melhores Sextas ou Best Fridays? Sexta Amarela ou Yellow Friday? Red Friday ou Sexta Vermelha? Talvez seja uma evolução natural para termos nossa versão brasileira, mas, por enquanto, acredito que continuaremos reféns da nossa americanização. E qual será a sua “Black Friday”, Dimitri? Eu tentei criar uma versão não apenas brasileira, mas mineira do termo. Emendando Novembro + Barato, cogitei usar Novembarato. Inclusive, vou deixar esse nome guardado com carinho e, talvez, passe a usá-lo no futuro. Por enquanto, vou com a maioria. Fiz uma enquete no meu perfil do Instagram com quatro opções para o pessoal votar e o resultado foi: Brand Week: 4,84% Blue Week: 4,84% Novembarato: 27,42% ???: 62,90% Só para fazer um pouco mais de suspense… Você pode conhecer a opção vencedora no gif abaixo: Como você bem pode notar, seria muito, mas MUITO, mais fácil apenas manter o
O jogo virou e a “fanfic” do momento é a de “um LinkedIn sem fanfics”

“Por que o LinkedIn é uma rede social tão odiada?” era o título de uma matéria da uol, que saiu em agosto de 2021. Na época, ensaiei escrever algo como resposta, porque o texto generaliza os conteúdos que circulam pelo LinkedIn de uma forma incômoda. “Com tantos usuários querendo ‘vender o peixe’, o conteúdo do LinkedIn vaza para outras redes sociais com publicações problemáticas, polêmicas ou apenas clichês demais.” — “Por que o LinkedIn é uma rede social tão odiada?”, Marie Declercq Também relutei em escrever esse artigo por um motivo que você logo vai entender. Mas logo reparei que a matéria é reflexo dos conteúdos linkedianos que ganham maior destaque em outras plataformas. É uma resposta natural odiar o LinkedIn, se você acompanha apenas os prints que circulam pelo Twitter. Da mesma forma que o deboche da página das Fanfics Corporativas sempre me arrancou boas risadas, sendo um raro motivo que me fazem lembrar que o Facebook ainda existe. Antes de encerrar a matéria, como numa nota de rodapé, Marie Declercq coloca Murillo Leal como porta-voz para dizer que existem bons conteúdos de pessoas que não defendem esse ‘mundo mágico’ do LinkedIn. Será que o problema é só esse “mundo mágico”? As fanfics corporativas não são o problema do LinkedIn Entre 2018 e 2019, o LinkedIn era facilmente um dos canais em que eu mais consumia conteúdo. Sabia de cabeça o dia da semana que algumas pessoas que admiro postavam novos artigos, e fazia questão de acompanhar cada publicação. Nessa época, as histórias mirabolantes de superação já circulavam. Só não haviam sido batizadas como fanfics corporativas ainda. E mesmo “conteúdos de valor” sendo subjetivos, eles também sempre existiram. É uma simples questão de escolher o que você prefere consumir — que insistimos em complicar. Sabe aquela máxima que a culpa nunca é da ferramenta, mas de quem a utiliza? Por isso, acredito que as fanfics são apenas um reflexo do principal problema por aqui: a Lei do Mínimo Esforço. Mesmo que existam profissionais incríveis compartilhando conteúdo, boa parte escolhe publicar o que for minimamente trabalhoso e traga o máximo alcance possível. É por isso que vemos publicações como essa: Em números, são praticamente imbatíveis. Na métrica de resultado por esforço, mais ainda. Nessa mesma conta, entram as histórias mirabolantes e vários clichês que viralizam no Twitter e nas Fanfics Corporativas. No fim das contas, os criadores das histórias mirabolantes, do “clique duas vezes na imagem”, “comenta ‘eu quero’” e cia. estão dançando a mesma música, com coreografias bem parecidas. Cheguei a escrever sobre conteúdos assim algumas vezes, mas logo entendi que criticar esse comportamento funcionava apenas como posicionamento. Entre os autores, quase não surte efeito. Maior alcance, menor esforço, a conta fecha e é isso o que produzem. Em vez de insistir nessa, fiz uma faxina caprichada no meu perfil e limpei as fanfics. Porém, um novo gênero surgiu. Um LinkedIn sem fanfics também é uma fanfic Hoje, tenho a impressão que metade dos conteúdos viralizam são histórias mirabolantes de reviravolta. Enquanto, a outra metade critica essas histórias. As anti-fanfics, que atacam os excessos e clichês do LinkedIn, se tornaram um nicho de conteúdo. Num primeiro momento, parecem assuntos que se contrapõem. Mas, se você olha bem, as semelhanças podem assustar. Templates prontos, temas em alta e uma lição de moral no final — essa é a fanfic. Troque a lição de moral pelo deboche, ou adicione um X ao que você quer critica, e voi-la. Clique duas vezes se você não aguenta mais os posts de “clique duas vezes”. Em alguns casos, também há referência para bons conteúdos no mesmo padrão de nota de rodapé da matéria da Marie Declercq. “Não escreva fanfics. Você precisa escrever conteúdo real” é quase um mantra. Num vídeo recente, incorporei um personagem que te ensina a viralizar no LinkedIn e brinquei justamente com essa situação. — Além das fanfics, tem outro jeito muito mais fácil de viralizar. É só você criticar e debochar dessas histórias, falando que é tudo utopia e que o negócio mesmo é conteúdo de verdade! — Aí eu pego, faço um post desse e, no próximo, começo a escrever conteúdo de verdade? — Não, não, não, não, não. Pode parar com isso, porque esse negócio aí dá muito trabalho e não é garantido que vai viralizar. O segredo é criticar e debochar. Criticar e debochar. (Para conferir o vídeo na íntegra, é só clicar aqui.) Um apontar de dedo distante, um anúncio do problema e uma menção à solução. A prática fica em segundo plano. Eu penso na queda do Facebook e imagino duas pessoas correndo para o LinkedIn ao saber da notícia. A primeira anuncia: “pode preparar para encontrar lições que o pessoal aprendeu com a queda do Facebook”, enquanto a segunda escreve essas lições. Parece até um trabalho em dupla quando olhamos assim. No fim das contas, é uma paródia da música que ditava as coreografias anteriores, mas a letra pouco muda. O que nasceu como um movimento contra algo que não trazia conteúdos reais acabou se tornando uma estratégia bem próxima do que tanto criticava. O ódio do Twitter e o deboche das Fanfics Corporativas invadiram o LinkedIn, com uma grande diferença: a autopromoção entra em jogo. Se, antes, era um movimento natural. Hoje, não é mais. A autopromoção das histórias exageradas ganhou traços auto-depreciativos e ganhamos no deboche. Mas o posicionamento contra os excessos se tornou o novo excesso — com seus próprios toques performáticos. O jogo virou, a fanfic do momento é a de um LinkedIn sem fanfics, e nasceu uma nova espécie de avatar entre os usuários da rede. Além do personagem que vive mais reviravoltas em um dia do que a Ilíada completa, ganhamos o personagem que repete esses acontecimentos para atacá-los exaustivamente. E existe solução, por acaso? Outra máxima diz que, se você não faz parte da solução… você é parte do problema. Atacar um inimigo comum é perfeito como porta de entrada para se apresentar aos inimigos de
Missa da Meia-Noite: uma aula surreal de Storytelling construída com sutilezas e toques de terror

Desconstruir e estudar sua série preferida é uma das melhores formas de se aprender Storytelling na prática. Assim, você vai entende quais foram as técnicas e métodos que despertaram tanto seu interesse e identificação. É isso que faremos agora com Missa da Meia-Noite.
A jornada da “Jornada do Herói” e um exemplo prático de construção de marca pessoal a partir do marketing de conteúdo

Tem boas chances que você já conheça a Jornada do Herói, ou pelo menos tenha ouvido falar nela — especialmente se clicou neste artigo. Sua versão reduzida em 12 etapas se tornou uma espécie de obsessão no Marketing Digital e, muitas vezes, é ensinada como se fosse a única maneira de se contar histórias. Até por isso, existe também um movimento contrário que insiste em apontar o dedo para a Jornada do Herói e dizer que ela não funciona. Enquanto isso, é bem raro acompanharmos uma discussão sobre a origem da estrutura que, hoje, se popularizou como a Jornada do Herói. E essa história é uma das melhores formas de responder se ela funciona de verdade, ou não, e como faz sentido aplicá-la. De bônus, você ainda vai conhecer um exemplo prático de construção de marca pessoal usando o Marketing de Conteúdo. A busca pelas regras não escritas sobre como escrever um bom roteiro Conheça Christopher Vogler. Após trabalhar alguns anos na FOX, em 1992, Vogler era Analista de Histórias na Disney e trabalhava no setor de live action sem grandes destaques, mas estava prestes a trabalhar num dos maiores filmes da história até então: O Rei Leão. Cada estúdio em Hollywood tinha um batalhão de pessoas atuando dessa forma — como ele próprio comenta em sua entrevista ao Bulletproof Screenwriting Podcast. Numa espécie de missão pessoal para facilitar sua própria vida, ele decidiu encontrar algo que funcionasse como um guia para analisar os milhares de roteiros em seu trabalho. Hoje em dia, são tantas opções de livros sobre storytelling, que chega a ser difícil escolher qual ler primeiro. Nessa época, porém, não era tão simples encontrar como estruturar uma narrativa a partir do que se deve incluir numa história e o que vale a pena evitar. Foi exatamente isso que Vogler encontrou quando ele descobriu o livro “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell — que teve sua primeira versão publicada em 1949. Neste livro, Campbell constrói o conceito do monomito a partir de uma extensa análise da mitologia, fábulas e lendas. Nesse estudo, ele identificou uma sequência de etapas que os protagonistas passavam até completar sua jornada e se tornar um herói. Antes, George Lucas já havia creditado o trabalho de Campbell na construção do roteiro dos três primeiros filmes lançados da saga Star Wars e, claro, isso foi um grande reforço para que Vogler aprofundasse seus estudos no monomito. Com os milhares de roteiros que tinha contato como Analista de Histórias, Christopher Vogler testou a estrutura de Campbell, originalmente com 17 etapas, que o ajudaram a ter um norte para verificar o que torna uma história interessante e emocionante para o público. Foi nesse momento que ele enxergou que tinha algo com um potencial gigantesco em suas mãos. Um viral na época dos compartilhamentos via xerox e fax Chegou o momento de adaptar de vez os conceitos e a estrutura de Campbell para o universo dos filmes e dos roteiros. As 17 etapas se tornaram 12 e Christopher Vogler fez questão de escrever sobre elas, em apenas 7 páginas, no formato dos memorandos corporativos bem populares na época, com o nome de Um Guia Prático para o Herói de Mil Faces. E fez isso de forma intencional, para criar um diferencial para seu próprio nome e incentivar as pessoas a falar sobre a jornada do herói e, consequentemente, sobre ele. Esse memorando espalhou muito rápido e viralizou numa época em que os compartilhamentos aconteciam apenas via máquinas de xerox e fax. Então, não demorou muito para que o nome de Vogler ficasse associado ao nome de Campbell, Star Wars e à Jornada do Herói. Também não demorou para que alguém tentasse assumir os créditos pelo seu trabalho. O chefe de produção do estúdio, Jeffrey Katzenberg, encontrou uma cópia do memorando e o recomendou em uma reunião de altos executivos. Porém, os créditos foram para um executivo, que removeu a folha de rosto original e enviou o documento em seu nome. Felizmente, Christopher Vogler ficou sabendo disso bem rápido e fez questão de escrever uma carta para Katzenberg, contestando o que havia acontecido, assumindo os créditos pelo memorando e pedindo para ter uma participação maior no processo de criação das histórias do estúdio. A resposta foi um convite imediato para que Vogler assumisse um cargo no departamento de animação, que havia sido recentemente reativado e emplacava um sucesso atrás do outro, com filmes como A Pequena Sereia, A Bela e a Fera e Aladdin. E também havia uma empolgação enorme em torno do próximo projeto da Disney, que seria Pocahontas. Mas Vogler foi trabalhar no que era visto como o time B, num projeto que, até então, tinha o nome de Rei da Selva. Ele ainda não sabia tão bem o tamanho da influência de seu memorando, mas encontrou logo de cara um quadro de cortiça oficial da Disney Animation, onde estava fixado o storyboard inteiro para o Rei da Selva — com 12 etapas fixadas como espécies de placas de sinalização. Suas 12 etapas da Jornada do Herói, que deram origem ao livro “A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Escritores”. O resto é história. Aliás, são histórias. Muitas delas você provavelmente conhece. E se você me perguntar se a jornada do herói funciona ou não, a resposta estava na capa do artigo o tempo inteiro.
Como encarar e superar o Bloqueio Criativo: 4 dicas e conceitos para te ajudar a vencer a página em branco

Uma das piores sensações para um escritor é a autocobrança por uma ideia quando não sabemos sobre o que escrever. Justamente nessas horas, o bloqueio criativo toma conta e é sobre isso que precisamos falar hoje.
Quer escrever melhor? Confira essas 3 técnicas inspiradas no Cinema e na Escrita de Roteiros

Com direito a exemplos de trechos de textos, além dos filmes O Homem que Vendeu a sua Pele, de 2020, e Um Lugar Silencioso, de 2018, separei para você três técnicas e princípios do Cinema e da escrita de roteiros que podem te ajudar a escrever melhores textos (não apenas para a internet).
4 lições que você pode “aprender” com (literalmente) qualquer filme ou série bem-sucedidos

Quando surge um novo fenômeno da cultura pop, a internet se torna um festival de aprendizados. Mas já parou para pensar que, na maioria das vezes, podemos “aprender” aquelas lições com qualquer filme ou série. é só escolher sua referência, preencher as lacunas e pronto. Quer ver?
Do anonimato ao sucesso mundial: como o Storytelling, a Construção de Marca e o Marketing trabalharam juntos em La Casa de Papel

Difícil pensar numa série, ou filme, que tenha explorado tão bem o Storytelling e a Construção de Marca em sua narrativa a ponto de praticamente não ter precisado de marketing. La Casa de Papel soube fazer isso com maestria. Entenda como!
Como contar uma história persuasiva em apenas 4 etapas (com um exemplo que você provavelmente conhece)

Para quem estuda Storytelling, uma das coisas mais interessantes é estudar e reconhecer novas estruturas para contar histórias. Uma das mais famosas é a Jornada do Herói. Mas, se você precisa contar uma história persuasiva e breve, ela não vai te ajudar tanto assim. Pelo menos não tanto quanto a estrutura que Lisa Cron apresenta no excelente Story or Die.