Referências do Coringa: entenda um dos principais motivos para o sucesso do filme

[Atenção! Este texto está repleto de spoilers!] Coringa, o filme, é uma obra de arte daquelas que custa a sair da sua cabeça. Devido às inúmeras reflexões que ele proporciona e pela forma brilhante como a narrativa é construída. Eu, por exemplo, fui três vezes ao cinema para acompanhar a transformação de Arthur Fleck no palhaço do crime. A primeira, no dia do lançamento; a segunda, com minha namorada; e a terceira, porque precisava ver de novo e dar a devida atenção que os detalhes do filme merecem. Um dos principais méritos do filme é trabalhar bem com referências fora do universo dos quadrinhos. O diretor Todd Phillips procurou entender exatamente o estilo do filme que faria e buscou inspiração em grandes obras do cinema — que foram devidamente homenageadas em Coringa. Algumas dessas referências são bem explícitas, enquanto outras são mais interpretativas. Taxi Driver, de Martin Scorsese De Taxi Driver, saiu boa parte da ambientação da cidade de Gotham de Phillips, que se assemelha muito à imunda Nova York de Martin Scorsese dos anos 70. O arco do protagonista também apresenta similaridades. Em Taxi Driver, acompanhamos Travis Bickle, um solitário veterano da guerra do Vietnam, que tem dificuldade para dormir e arruma um emprego noturno como motorista de táxi. Ele não consegue se encaixar na sociedade e, enquanto buscava um norte para sua vida, conhece uma prostituta de 12 anos. Para resgatá-la desse submundo, Travis toma uma atitude drástica, arrisca sua vida e assassina o cafetão que manipulava a garota. A cena do metrô, em que o riso descontrolado de Arthur o expõe aos três jovens que importunavam uma moça, pode ser tranquilamente vista como uma homenagem ao desfecho de Taxi Driver. O Rei da Comédia, também de Martin Scorsese Com O Rei da Comédia, as semelhanças são ainda maiores. O protagonista Rupert Pupkin, interpretado por Robert de Niro, sonha em participar do Talk Show do seu grande ídolo, Jerry Langford. Ele tem vários devaneios sobre como seriam sua entrada e participação, ensaia em casa e até mesmo imagina seu casamento acontecendo no programa. Para garantir que sua participação realmente ocorresse, ele chega ao ponto de sequestrar o apresentador e, em rede nacional, Rupert assume seu crime: “Provavelmente muitos de vocês perguntam por que motivo o Jerry não está aqui. Eu digo a vocês: ele está amarrado… e fui eu que o amarrei. Sei que pensam que é uma piada, mas acreditem. Foi a única maneira que encontrei para entrar no show business (…) Isso, riam! Obrigado. Agradeço. Mas a verdade é que estou aqui. Amanhã saberão que não é brincadeira e pensarão que sou louco. Mas vejam desta maneira: mais vale ser rei por uma noite do que tolo a vida inteira!” Os devaneios e ensaios de se imaginar no Talk Show, a idolatria que se torna doentia e o desejo de ser notado são todos elementos que também vemos no Coringa. “Durante toda minha vida, eu nem sabia se eu realmente existia. Mas eu existo. E as pessoas estão começando a perceber.” E a presença de Robert de Niro como apresentador foi o toque perfeito para homenagear O Rei da Comédia. Laranja Mecânica, de Anthony Burgess e Stanley Kubrick “O termo Ultraviolência foi usado pela primeira vez no livro Laranja Mecânica para se referir a atos de extrema violência totalmente aleatórios e injustificados. É a violência pelo prazer da violência. Uma violência que não precisa ser carregada por raiva ou qualquer outro sentimento.” — Dicionário Informal A mesma ultraviolência está presente em Coringa, principalmente com Arthur como vítima. Outro artifício que aparece no filme de Todd Phillips — e que também está presente em Laranja Mecânica — é o uso da música e da dança em cenas violentas. Isso evidencia que, para o agressor, atacar outras pessoas e cometer atrocidades é tão natural quanto cantarolar uma canção. A cena no metrô é um exemplo claro disso, com um dos jovens abordando Arthur enquanto cantava Send in the clowns e preparava-se para agredi-lo. Qualquer semelhança com a icônica cena de Alex cantando Singing in the rain, enquanto agredia o casal morador da casa que acabara de invadir, não é mera coincidência. Clube da Luta, de Chuck Palahniuk e David Fincher “O que você acaba fazendo é passar a vida procurando um pai e um Deus. O que precisa considerar é a possibilidade de Deus não gostar de você. Pode ser que Deus nos odeie. Isso não é a pior coisa que pode acontecer (…) Talvez porque seja melhor o ódio de Deus do que a indiferença Dele (…) O que é pior, o Inferno ou nada? Apenas se formos pegos e punidos é que poderemos ser salvos. (…) Dessa forma, Deus pelo menos saberá nosso nome. Quanto mais fundo você descer, mais alto voará. Quanto mais longe você correr, mais Deus vai o querer de volta.” — Chuck Palahniuk, Clube da Luta As semelhanças com a trama de Coringa são tão grandes, que, se o trecho acima fosse encaixado no filme de Todd Phillips, ele faria perfeito sentido. Arthur procura insistentemente pela figura de um pai — tanto em Murray Franklin, quanto em Thomas Wayne. Quando se torna alvo de deboche e é rejeitado por eles, o Coringa responde com violência em rede nacional e, finalmente, é notado. E o verdadeiro palhaço do crime somente aparece na tela depois de Arthur perder tudo: o acompanhamento da assistente social, os remédios, o emprego, o sonho de ser comediante e o amparo materno. “Apenas depois de perder tudo é que você está livre para fazer qualquer coisa.” — Chuck Palahniuk, Clube da Luta Ao reconhecer e homenagear obras anteriores, Todd Phillips criou um filme que já nasceu com os requintes de um grande clássico do cinema. E você, o que achou das referências em Coringa? Reparou em mais alguma que não mencionei no artigo? Diz aí nos comentários! * Comecei a escrever este texto para desconstruir o filme por completo — com uma análise das referências, da trama e
Roubar como um artista não significa esconder suas fontes e referências

Se hoje é quase impossível ter uma ideia absolutamente original e tudo se tornou uma cópia de uma cópia de uma cópia, vale a pena esconder suas referências? Quão tênue é a linha que separa a inspiração do plágio?
Por que os árbitros de futebol estão sempre sob ataque das torcidas?

Se você tem o costume de acompanhar futebol frequentando estádios, ou mesmo pela TV — prestando o mínimo de atenção na torcida —, existe um canto que você certamente conhece: “Ei, juiz…” e você já sabe onde isso vai parar. Além do hino nacional, parece ser a única música entoada por todas as torcidas. Embora o hino certamente não desperte a mesma vontade de cantar nos torcedores. O som do apito se tornou uma espécie de trauma coletivo e os árbitros estão sob constante ataque. Não apenas das torcidas, mas dos dirigentes, treinadores, jogadores e, basicamente, qualquer pessoa disposta a palpitar sobre futebol. Um possível motivo por trás disso foi o que me motivou a escrever este artigo e é o que vamos desvendar agora. Modelagem de comportamento Já parou para pensar qual o primeiro contato da maioria das crianças com palavrões, xingamentos e o clássico gesto do dedo médio erguido? É difícil responder com precisão sem estatísticas e dados, mas existem boas possibilidades de ser num contexto futebolístico em que o árbitro era homenageado. A primeira vez que presenciei meu pai pronunciando um palavrão, por exemplo, foi justamente no estádio do Mineirão. Lembro de ter estranhado esse momento a ponto de bater o olho novamente para conferir se era mesmo o meu pai, pois ele não se dirigia à nenhuma outra pessoa daquela maneira. “Eu nunca diria o que falo com árbitros para uma pessoa na vida normal (…) já fui pego na câmera e minha filha me mandava mensagens: ‘Pai, o que você está fazendo? Está em todo o Twitter. Eu posso ler seus lábios, isso é constrangedor’.” — Steve Kerr, treinador do time de basquete Golden State Warriors. Porém, agredir verbalmente os árbitros não é uma atitude racional para que seja perpetuada pela modelagem. Ela pode até levar ao primeiro xingamento, mas não é o bastante para que se repita. É preciso algo mais. Válvula de escape Como bem disse Steve Kerr, as coisas que dizemos para os árbitros, ou sobre eles, jamais são ditas para outras pessoas na vida normal. Portanto, como torcedores, é certo que usamos os juízes de futebol como bodes expiatórios para que possamos extravasar nosso estresse do cotidiano. Isso já explica o motivo do árbitro se tornar um alvo das torcidas. Porém, existem diversas outras opções de válvulas de escape em campo: 22 atletas; dois treinadores; e ainda tem aquele vendedor de picolé que passa na sua frente com a caixa de isopor bem na hora do gol. Nenhum deles recebe a mesma atenção que o juiz. O álibi perfeito “Os derrotados perdem por causa dele (o árbitro) e os vitoriosos ganham apesar dele. Álibi de todos os erros, explicação para todas as desgraças, as torcidas teriam que inventá-lo se ele não existisse. Quanto mais o odeiam, mais precisam dele.” — Eduardo Galeano A reação das torcidas diante do julgamento do que é certo e errado pelo árbitro já reflete algo mais profundo: a sensação constante de que algo injusto está acontecendo. Essa reação não é exclusiva aos árbitros de futebol, mas de qualquer agente com a responsabilidade de fazer cumprir as regras e de zelar pela justiça. Existem diversas autoridades similares, com a grande maioria delas sendo atacadas frequentemente. No contexto das redes sociais, por exemplo, algoritmo se torna o alvo. Uma justificativa pronta para qualquer publicação com baixo alcance e um obstáculo superado por aquelas que foram além. Como uma figura de autoridade cujas falhas são discutidas em rede nacional e acertos são ignorados, o árbitro de futebol se torna um reflexo da injustiça em nossas vidas. No momento que ele entra em campo acompanhado por seus auxiliares, as vaias tomam conta dos estádios e são bem mais volumosas do que as que recepcionam o time adversário. O único apito que passa despercebido é o que dá início ao jogo. A partir daí, qualquer som do apito já é o bastante para incentivar os primeiros ensaios do coro: “Ei, juiz…” Na histeria coletiva que os estádios se transformam, cada decisão do árbitro se torna uma afronta, como se o seu objetivo fosse disseminar a injustiça. Se o juiz acerta ou erra, pouco importa. Os protestos apenas parecem ser contra ele.
Não confunda rituais com resultados: do Culto à Carga ao 5AM Club

Se você deseja ter resultados similares aos de uma pessoa que você admira, um método que pode ajudar é a Modelagem. Basta procurar entender como essa pessoa trabalha, quais são seus rituais, processos e padrões, e então, passar a repeti-los em sua rotina na esperança de alcançar resultados similares. Até que ponto vale a pena modelar comportamentos dessa forma? Os rituais e processos surgem das maneiras mais diversas possíveis e, às vezes, até mesmo bizarras. Alguns nascem para suprir uma necessidade específica na rotina de alguém, enquanto outros podem ser mera extravagância. Tomando alguns escritores como exemplo: Jonh Grisham, que antes era advogado, escreveu seu primeiro livro levantando-se todos os dias às 5h para escrever uma página antes de começar a trabalhar. O autor japonês Haruki Murakami credita boa parte da sua criatividade ao seu hábito de corrida. Maya Angelou, poetisa americana, costumava reservar um quarto de hotel por um mês e frequentá-lo todos os dias entre 6h da manhã até 13h para escrever. Victor Hugo, autor de Os Miseráveis, tinha o hábito de escrever nu. Ernest Hemingway sempre escrevia em pé. Mark Twain, por outro lado, preferia escrever deitado na cama. Tenho certeza que algum outro ritual veio à sua mente, mas quero falar sobre um específico e muito curioso que teve origem na 2ª Guerra Mundial. O Culto à Carga Em guerra contra o Japão, as tropas norte-americanas desembarcaram em centenas de ilhas no Pacífico Sul para ocupar territórios estratégicos e atacar os japoneses. Com o objetivo de facilitar a ocupação e não encontrar muita resistência por parte dos nativos, os norte-americanos preferiram ilhas menores e pouco desenvolvidas. Assim, para os ilhéus, aquele era o primeiro contato que tinham com o mundo externo. De repente, eles se viram dividindo o território com soldados americanos e todo o seu aparato, que incluía jipes, armas, medicina moderna e comida enlatada — tudo isso chegando dos céus e dos mares, em aviões e navios. “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.” — Arthur C. Clarke Quando a guerra acabou, também de repente para os nativos, toda essa magia sumiu. E o que lhes restou fazer? Modelar o ritual que testemunharam para alcançar os mesmos resultados, é claro. Os ilhéus passaram a construir aviões com madeira e palha, torres de rádio com bambu e vime, fones de ouvido com cascas de coco e microfones com pedaços de graveto. Tudo que os norte-americanos manuseavam para invocar os pássaros de metal ganhou um modelo. Só que os nativos não sabiam que o que construíram eram apenas modelos falsos. Afinal, eles não entendiam a utilidade dos equipamentos dos norte-americanos. Apenas observavam os soldados utilizando-os e decidiram repetir o ritual, balbuciando frases no dialeto local em microfones de graveto, enquanto usavam fones de casca de coco. Com exceção de alguns turistas desembarcando por lá, os nativos ainda não chegaram no resultado desejado. Porém, o ritual se perpetuou em algumas ilhas e, hoje, se tornou um culto — que inclui até mesmo a adoração de John Frum. “John Frum é uma figura associada ao culto à carga nas ilhas de Tanna, Vanuatu, na Melanésia. Ele é descrito como um soldado estadunidense da Segunda Guerra Mundial, que trará saúde e prosperidade para as pessoas que o seguirem.” — Definição da Wikipédia Dia de John Frum sendo celebrado na ilha de Tanna. O raciocínio do Culto à Carga Por mais bizarra seja a cena dos nativos tentando invocar navios e aviões com seus modelos rústicos falsos, o raciocínio do culto à carga se perpetuou — e não apenas nas pequenas ilhas do Pacífico. Toda vez que seguimos um processo, um ritual ou mesmo instruções tomando como base o resultado sem sabermos suas utilidades e razões para funcionarem, adotamos uma linha de raciocínio bem similar à dos ilhéus. Portanto, não adote cegamente tudo o que encontrar por aí. Ou caso queira melhorar sua escrita, você pode acabar numa rotina que envolve levantar às 5h da manhã para correr e, então, chegar em um quarto de hotel que você reservou por um mês, para escrever sem roupas e revezando sua posição: ora em pé, ora deitado na cama. Antes de seguir qualquer processo, procure analisá-lo, entendê-lo e testá-lo para ver se faz sentido para você. Em alguns casos, eles vão te ajudar a descansar, render mais ou até te inspirar.Em outros, apenas vão render olheiras, cansaço e te deixar numa situação bem próxima a alçar voo num avião de bambu. Principais referências e inspirações Boa Noite Internet | Aviões de Bambu: foi graças ao Cris Dias e ao primeiro episódio do podcast Boa Noite Internet que fiquei conhecendo o conceito de Culto à Carga; All That’s Interesting | John Frum: The Bizarre Island Religion That Worships An American GI; Curta-metragem animado mostrando todo o desenvolvimento do Culto à Carga.
Como escrever melhor: 7 técnicas simples para prender a atenção do seu leitor

Constantemente recebo mensagens de pessoas me pedindo ajuda com seus textos. Entre elas, a pergunta mais comum é: “Você pode dar uma olhada no meu texto e dizer o que acha?” Embora “escrever melhor” seja algo subjetivo, prender a atenção de um leitor que chegou até o seu texto não é. Portanto, decidi listar os principais fatores que costumo observar como pontos de melhoria nesses artigos. 1. Corte clichês, partes desnecessárias e previsíveis Qualquer texto sobre dicas de escrita poderia começar com “Leia mais”, concorda? Afinal, é uma dica válida e que pode te ajudar a escrever melhor. Porém, tenho certeza que você a conhece porque já leu inúmeros outros textos com essa sugestão e, por isso, preferi cortá-la. Quando for escrever seu próximo texto, recomendo que faça o mesmo. Verifique se utilizou frases prontas, trechos desnecessários e expressões clichês. Caso tenha usado, pode cortar sem medo de ser feliz. Não faz diferença se um texto é longo ou curto: se ele for enxuto, torna-se muito mais cativante aos olhos do seu leitor. Leia também: 16 expressões e frases para tomar cuidado e eliminar dos seus próximos textos 2. Escreva de forma simples e vá direto ao ponto Além de cortar os excessos, evite um vocabulário rebuscado que apareça mais do que a mensagem que você quer transmitir. Em Assim Falou Zaratustra, Nietzsche afirma em um trecho que as pessoas enlameiam as poças d’água para fazê-las parecer profundas. Pois é justamente esse o efeito de apostar em uma linguagem muito rebuscada: você enlameia o seu texto, deixa a mensagem menos cristalina e acaba entediando seu leitor. 3. Facilite a leitura dinâmica do seu texto No Marketing de Conteúdo, existe uma técnica chamada Escaneabilidade, que se baseia em adaptar o seu texto para facilitar sua leitura dinâmica. Basicamente, a ideia é apostar em parágrafos mais curtos, intertítulos, imagens ao longo do texto, negrito, bullet points e outros elementos que tornem o seu conteúdo mais amigável. O escritor português José Saramago, por exemplo, é famoso por estender um mesmo parágrafo por várias páginas e proporcionar uma experiência de leitura não tão boa. No caso dele, funciona por se tratar de literatura e do estilo próprio do autor. Mas, para conteúdos online, não tente seguir o Saramago. Precisamos considerar as particularidades do meio em que o texto será publicado e, na internet, o comportamento do leitor é mais dinâmico e disperso. Ou seja, apostar em blocos de texto como os de Saramago acaba incentivando as pessoas a fechar o seu texto. 4. Escreva falando com um único leitor Ao escrever, dirija-se ao seu leitor. No singular e sem grandes formalidades — da mesma maneira que venho fazendo neste texto. Assim, você transforma seu texto em uma conversa dirigida a uma única pessoa e faz dele uma jornada dinâmica e fluida, tornando sua leitura bem menos cansativa. 5. Cuidado para não concorrer com a Wikipedia Esta dica é bem direcionada a textos que narram uma linha cronológica de eventos, por exemplo: a carreira de uma pessoa específica ou um determinado período na história. Quando for escrever algo assim, você precisa se perguntar: o que o meu texto tem para se diferenciar da Wikipedia? Porque, caso você se atenha a listar eventos em ordem cronológica, a concorrência se torna desleal diante da autoridade da enciclopédia online. Para se diferenciar, dê maior importância aos eventos principais com descrições mais detalhadas, em vez de simplesmente anunciá-los. Procure também inserir experiências pessoais e percepções suas que façam sentido ao texto, mas sem virar os holofotes para você. Leia também: Antes de Chuck Berry, Elvis e Beatles, tivemos Sister Rosetta Tharpe: conheça a Mãe do Rock’n Roll 6. Entenda que nem tudo precisa ser sobre você Acordei hoje às 6:50, após pressionar a soneca duas vezes sem entender se o som do despertador era parte do sonho, ou não. Como precisava escrever, encarei a manhã chuvosa e fria de Belo Horizonte, e antes mesmo de tomar o café-da-manhã, resolvi enfrentar a página em branco. Agora, eu te pergunto: fez alguma diferença para você saber disso? Nesse parágrafo, dou uma importância gigantesca para mim e para meu ato de acordar, porém o foco do texto é outro. Então, não escreva colocando-se em um pedestal e procure entender os momentos certos de se inserir nas histórias que você conta. “Ao ler um texto mirabolante, cheio de adjetivos e da palavra EU, desconfie: a ponta azulada e reluzente do iceberg pode ser um imenso saco de lixo virado do avesso num oceano poluído, refletindo a luz do sol.” — Marc Tawil Além disso, quando for falar sobre uma vitória sua, entenda que é legal falar de conquistas, mas é bem melhor falar sobre como você chegou lá. Em vez de se vangloriar, procure ser um guia. Leia também: Storytelling no Marketing Pessoal: entenda por que autocrítica é mais importante que autopromoção 7. Tenha consistência Esse é o clichê que se tornou um clássico para conteúdos sobre escrita, porque não há técnica que se desenvolva sem ser por meio do hábito e da consistência. Falar em construir um hábito soa ainda mais clichê, eu sei. Porém, é comum não levarmos isso a sério. Para transformar a escrita em um hábito, precisamos encará-la com a mesma disciplina profissional que temos com nossas carreiras. Portanto, defina uma frequência — diária, por exemplo, mas sem pressão — e tenha recorrência, tanto nos estudos para melhorar na escrita, quanto na prática. Atenção que lá vem anúncio: últimas vagas para o Curso de Escrita Criativa e Storytelling Em Julho, lancei a 1ª Turma do curso online de Escrita Criativa e Storytelling e o resultado foi incrível: pude acompanhar de perto todos se desenvolvendo e construindo o hábito da escrita. Foram mais de 50 artigos publicados pelo pessoal da 1ª turma, incluindo 5 citados pelo Boletim Diário do LinkedIn. Após coletar feedbacks dos alunos, fiz algumas atualizações no curso e estou abrindo as inscrições para a 2ª Turma seguindo a mesma metodologia — e as mesmas 50
A Síndrome do Impostor para Escritores e a cura para colocar suas ideias no papel

Você já se sentiu como uma fraude ou teve a sensação de não ser um escritor de verdade? Eu, com certeza. Também existe o receio constante de as pessoas não estarem dispostas a ler o que escrevo e a sensação de que estou apenas desperdiçando meu tempo. Aliás, só de ver a palavra “escritor” no título, me vejo sob um ataque da síndrome. Seria eu mesmo a pessoa certa a escrever sobre este assunto? Não seria melhor que ele fosse assinado por um “verdadeiro escritor”? Daqueles que têm livros publicados, ou melhor, best-sellers publicados — embora continuem a se ver como fraudes. O dilema começa na apresentação: redator ou escritor? Prestes a completar dois anos como “produtor de conteúdo”, ainda não me sinto à vontade em abraçar o título de escritor. Prefiro me apresentar disfarçando-o num verbo, ao dizer que “trabalho com escrita criativa”, ou como “redator” — para simplificar. Afinal, se me apresentar como escritor, é uma mera questão de tempo até a polícia da fraude bater na minha porta para me acusar e me desmascarar. E se você acredita que publicar um livro será a solução para vencer a Síndrome do Impostor, não é bem assim que funciona. Vários escritores consagrados continuam convivendo com ela — entre eles, Maya Angelou, Neil Gaiman e Brené Brown. “Eu escrevi onze livros, mas toda vez eu penso ‘uh oh, eles vão descobrir agora. Eu iludi todo mundo e eles vão descobrir dessa vez’.” — Maya Angelou Por que a Síndrome do Impostor afeta tanto os escritores? De acordo com o psicólogo Joseph Cilona, a síndrome do Impostor prospera no isolamento. E se existe uma característica comum entre escritores, redatores e produtores de conteúdo, é justamente o fato de tralharmos isolados na maior parte do tempo. Por um lado, não temos ninguém acompanhando o progresso antes de finalizarmos e publicarmos nosso trabalho, que será julgado por inúmeros estranhos. Do outro lado, também não acompanhamos o progresso dos verdadeiros escritores que tomamos como referência e tanto invejamos. Vemos apenas o resultado final: os textos impecáveis que jamais seremos capazes de escrever. Então, quando nos sentamos para escrever o primeiro rascunho e não ficamos satisfeitos com o que produzimos, somos amadores. Isso porque criamos parâmetros desleais de comparação. Como não acompanhamos todo o processo de nossas referências, a sensação que fica é que o texto não exigiu grandes esforços — embora possa ser o resultado de várias semanas de trabalho. Como seguir escrevendo, mesmo que você se sinta uma fraude “Alguns anos atrás, tive a sorte de ser convidado para um encontro que reunia grandes nomes: artistas, cientistas escritores e descobridores de coisas. E senti que, a qualquer momento, eles perceberiam que eu não estava qualificado para estar lá, entre as pessoas que realmente fizeram as coisas. Na minha segunda ou terceira noite lá, eu estava de pé no fundo do salão, enquanto acontecia um entretenimento musical, e comecei a conversar com um senhor muito gentil, educado e idoso. Então ele apontou para o salão cheio de pessoas e disse: ‘Eu apenas olho para todas essas pessoas e penso: que diabos estou fazendo aqui? Eles fizeram coisas incríveis. Eu apenas fui aonde fui enviado.’ E eu disse: ‘Sim. Mas você foi o primeiro homem na lua. Eu acho que isso conta para alguma coisa.’ — e me senti um pouco melhor. Porque se Neil Armstrong se sentia um impostor, talvez todos também se sintam.” — Neil Gaiman Neal Stephenson, Neil Armstrong e Neil Gaiman. Se pessoas como Neil Gaiman e Neil Armstrong não superaram a Síndrome do Impostor, o primeiro passo é aceitá-la como algo natural e admitir que você se sente como uma fraude. Se você leu até aqui, fique à vontade para riscar o primeiro item de sua checklist. E algumas outras dicas que vão te ajudar são: 1. Conviva com outros escritores Somos uma grande comunidade de medrosos impostores. Então, conviver com outros escritores vai te ajudar a entender que você não é o único que enfrenta esse desafio diariamente. Seja no meio online, seja no offline, esse convívio possibilita que você acompanhe mais de perto o processo de outros escritores. Além de abrir um canal de feedbacks entre vocês, tanto para receber críticas sobre seus textos, quanto para opinar sobre os conteúdos de seus colegas. E se quiser um exemplo de como essa influência pode trazer resultados fantásticos, basta se lembrar da relação entre J. R. R. Tolkien, autor da trilogia Senhor dos Anéis, e C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia: “Por muito tempo ele (C. S. Lewis) foi meu único público. Apenas a partir dele tive noção de que meu ‘material’ poderia ser mais que um passatempo particular. Se não fosse por seu interesse e avidez incessante por mais, eu jamais teria concluído o Senhor dos Anéis.” — J. R. R. Tolkien 2. Abrace tanto as críticas quanto os elogios Quando recebemos feedbacks, o que costuma acontecer é não nos apegarmos tanto aos elogios, mas às críticas, sim — por mais que ocorram mais retornos positivos. Afinal, como fraudes que somos, os elogios e o sucesso são resultados da sorte — não do nosso esforço e talento. Enquanto as críticas, essas sim, dizem respeito ao nosso trabalho. Então, aprenda a escutar os dois lados. Por mais motivacional que possa soar, suas pequenas vitórias e elogios recebidos são méritos seus, sim — às vezes até mais que os comentários negativos. Lembre-se também de que os críticos acertam tanto quanto erram. Como exemplo, basta lembrarmos da seguinte afirmação feita na aclamada revista Rolling Stone: “As músicas do Led Zeppelin são tão efêmeras quanto os quadrinhos da Marvel.” — Lester Bangs, Rolling Stone, 1970 3. Esqueça o perfeccionismo Quando nos sentamos diante do teclado e do monitor ostentando uma página em branco, nosso objetivo é nos posicionarmos como especialistas. Então, a pesquisa precisa ser a mais completa e extensa o possível. Uma única lacuna nas informações é o suficiente para um possível leitor surgir com uma dúvida ou informação capaz de nos desmascarar. Mas, na verdade, a grande maioria dos leitores estão interessados unicamente no que você sabe e tem a compartilhar, para que possam aprender.
Antes de Chuck Berry, Elvis e Beatles, tivemos Sister Rosetta Tharpe: conheça a Mãe do Rock’n Roll

Uma história que não é tão contada quanto deveria ser e uma carreira com inúmeras lições de vida. Sister Rosetta Tharpe desafiou a segregação racial, escreveu a possível 1ª música de Rock da história e influenciou os principais nomes da música, desde Chuck Berry até Keith Richards. Conheça a Mãe do Rock’n Roll!
Esqueça essa história de “encontrar o seu propósito”

— Como encontrar o seu propósito? Tenho certeza que você já ouviu essa pergunta. Ou talvez sua versão imperativa: — Você precisa encontrar o seu propósito. De tanto que frases como essas são repetidas aos quatro ventos, “propósito” parece ter deixado de ser o fator que guia nossas vidas durante a rotina — tanto pessoal quanto profissional — para se tornar um discurso motivacional enlatado. Hoje, “encontrar seu propósito” se tornou basicamente o “você vem sempre aqui?”, ou, se preferir, o “oi, sumida(o)” da auto-ajuda. Desde que notei isso, cheguei a abolir a palavra “propósito” da minha escrita. Porém, claro que o problema não era a palavra, mas a forma como é usada. Além do significado desgastado pela sua repetição excessiva, temos ainda um contexto complicado pelo verbo encontrar. Como se “propósito” fosse algo que pudéssemos encontrar numa pesquisa no Google, num livro de auto-ajuda, ou mesmo num curso online. Ou seja, o discurso motivacional enlatado, na verdade, é um discurso de venda enlatado. Só que, com raríssimas exceções, os materiais que se dispõem a te ajudar a encontrar o seu propósito funcionam como injeções de ânimo de curto prazo. Basta lembrar da última palestra motivacional que você viu. Propósito não se encontra. Propósito se constrói Existe uma diferença bem sutil que causa enorme impacto: em vez de retirarmos significado do trabalho, podemos torná-lo significativo. Em outras palavras, propósito não é algo que se encontra, mas que se constrói. “Não existe trabalho miserável, apenas pessoas miseráveis que não se dispõem a trabalhar. (Ayn Rand)” Agora, chegamos a um momento complicado do texto, em que devo apenas listar alguns breves passos explicando como você pode construir o seu propósito, certo? Também não é tão simples assim E se não soubermos o que construir? Em algum momento na vida, todos precisamos escolher entre nadar rumo a um objetivo ou simplesmente ficar à deriva e ver para onde seremos levados. Conscientemente ou não, todos tomamos essa decisão. Agora, sem um propósito muito bem definido, pode ser melhor ficar à deriva e ver até onde o rio te leva. Se não for a direção certa, você ainda poderá apreciar uma bela jornada e terá tempo de perceber e corrigir seu trajeto. Muito melhor que nadar cegamente rumo a um precipício, não acha? Trace um objetivo, mesmo que ele represente ficar à deriva. E quando o fizer, tenha certeza de adequar o objetivo a você. Não o contrário. Explico: é muito comum focarmos puramente no objetivo. Assim, definimos uma série de ações que devemos praticar para alcançá-lo. Mas podemos mudar nossa mentalidade nesse processo e passar a almejar algo novo. Nesse momento, será necessário escolher entre acomodar ou começar um novo percurso. Por isso, nadar contra a correnteza pode ser bem perigoso se não for realmente o que você quer. É provável que você chegue à margem e se acomode por lá. Ficar à deriva foi a melhor decisão que tomei na minha carreira Há dois anos, cursava meu último semestre de Engenharia Elétrica e, em Setembro de 2017, estava saindo de um estágio. Naquele momento, meu sonho de graduando descia ralo abaixo. Não seria mais um estagiário efetivado após desempenhar um bom trabalho e me via bem perto do pesadelo de formar desempregado. As seis horas de trabalho diárias se tornaram momentos ociosos e o que decidi fazer foi investi-las em estudo: cada minuto de trabalho se tornou um minuto para me especializar em algo do meu interesse. E assim, estudei sobre Energia Fotovoltaica; algumas metodologias de logística e gestão de projetos (Supply Chain, Lean Manufacturing e Six Sigma); e por último, acabei descobrindo o Marketing Digital. Enquanto estava à deriva, todos os cursos online que fazia, eram apenas uma forma de seguir estudando e ganhar algumas linhas no currículo — em que me apresentava como “engenheiro eletricista entusiasta em Marketing Digital”. Hoje, o que era apenas um apêndice no meu currículo tornou-se minha carreira e, desde então, coleciono alguns resultados dos quais me orgulho bastante, como: 200% de crescimento do tráfego do blog da Comunidade Rock Content, superando a marca de 780 mil sessões em Maio/2019; 52 artigos publicados no LinkedIn, com a grande maioria sendo escrita fora do meu horário de trabalho; além de ministrar dois cursos online: um sobre Escrita Criativa e Storytelling, na Hotmart, e outro sobre Marketing Pessoal no LinkedIn, na plataforma da Universidade Rock Content. E não estou falando esses números para me vangloriar ou te empurrar alguma venda. Apenas quero transparecer que, hoje, me sinto profundamente realizado com a minha carreira no Marketing Digital. Isso só aconteceu porque me permiti ficar à deriva, em vez de entrar numa busca frenética por qual seria o meu propósito — que, aliás, não afirmo ter encontrado, mas sigo construindo-o. Propósito não é estático Você provavelmente se lembra da Kodak, certo? Eles tinham um propósito e construíram um império em cima dele. Sabe qual era? Compartilhar emoções. Só que falar em propósito e afirmar tê-lo encontrado não é suficiente. Quer uma prova? Em 2012, enquanto a Kodak declarava falência, outra empresa com o mesmo propósito — e 14 funcionários — foi vendida por um bilhão de dólares: o Instagram. Isso porque o propósito não é algo estável. Pode exigir reparos, ou até mesmo uma reconstrução. Um excelente exemplo dessa reconstrução é uma plataforma de namoro online criada em 2005, com o objetivo de oferecer um espaço para que as pessoas disponibilizassem vídeos contando quem eram e o que buscavam no amor. Em 2006, esta plataforma apostou em diversificar um pouco mais o seu público, acabou vendida em 1,65 bilhão de dólares e você também deve estar familiarizado com ela, que atende pelo nome de YouTube. Embora os exemplos sejam de empresas, a moral da história é simples: circunstâncias mudam, empresas mudam, pessoas mudam e nossos propósitos, também. — Você encontrou o seu propósito? Na próxima vez que se deparar com esta pergunta, basta agradecer educadamente — como fazemos ao recusar uma venda — e seguir o seu caminho. — Muito
Sua obsessão em ser mais produtivo está matando sua criatividade

Produzir mais em menos tempo é um desejo de qualquer pessoa em sã consciência. Isso significa maior eficiência no trabalho, lucro e, claro, disponibilidade de tempo. Assim você pode desfrutar do tempo livre como bem entender. Pode utilizá-lo como ócio. Ou pode aproveitá-lo de outra maneira: trabalhando mais, produzindo conteúdo ou mesmo consumindo. Acontece que o próprio termo “ócio” já tem uma conotação pejorativa, como se você estivesse desperdiçando o seu tempo em vez de investi-lo em algo útil. Então, cada minuto livre conquistado é imediatamente preenchido com outra atividade produtiva. E para falarmos sobre os efeitos dessa rotina na criatividade, primeiro precisamos abrir um pequeno parêntese para uma definição mais clara. O que é criatividade? Capacidade de criar e produzir coisas novas para solucionar problemas, certo? Também, mas prefiro algo mais específico. Então, vamos dizer que criatividade está relacionada à nossa habilidade de relacionar ideias, temas e assuntos antes não relacionados para criarmos algo diferente. Para ser criativo, não é necessário ir tão longe a ponto de reinventar a roda. Basta encontrar uma nova maneira de fazê-la girar, ou uma perspectiva diferente dela girando. Agora, o que acontece com essa habilidade em uma rotina enlouquecedora guiada pela obsessão pela produtividade? A inspiração de curto prazo Em um primeiro momento, o seu tempo mais preenchido te coloca em contato direto com mais conteúdos e te faz produzir mais. A sensação inicial é de que você está mais criativo. Você passa a relacionar os conhecimentos recém-adquiridos com outros conceitos que já conhecia, propõe soluções para diversos problemas e vê seu rendimento crescendo consideravelmente. Qual conclusão tiramos disso? Deu certo, vou ser mais produtivo, e o processo se repete: cada minuto livre conquistado é re-investido de forma útil e a inspiração se mantém por algum tempo. A extinção do tédio e o bloqueio criativo Após essa primeira etapa, chega um momento em que os conhecimentos recém-adquiridos não parecem mais tão novos. Você deixa de relacioná-los com outros conceitos e sua aplicação perde o aspecto inovador, tornando-se previsível, mecânica e repetitiva. Três características que jamais seriam utilizadas para descrever a criatividade. E qual a solução? Oras, consumir mais conteúdo e seguir com a produtividade — foi o que funcionou antes. Mas não dessa vez. Isso porque nossa obsessão por preencher cada minuto com uma atividade produtiva vai comprometendo nosso espaço para pensar. Não nos permitimos raciocinar a ponto de sermos criativos, apenas trabalhamos com o primeiro pensamento que vem à mente, como se estivéssemos numa linha de produção. E quando a pressão pela inspiração é grande, fazer algo com o único objetivo de encontrá-la não costuma funcionar. Neste momento, os melhores resultados que costumamos ter são meras pesquisas de tópicos que possam ser reproduzidos. Não há inovação, nem construção de relações entre novos e antigos conhecimentos. Podemos até seguir produzindo, mas a criatividade não está mais presente. É como se estivéssemos tão imersos na rotina e na necessidade de sermos produtivos que enxergamos apenas o micro. Enquanto a criatividade exige uma visão panorâmica. Por isso, após um feriado ou período de férias, costumamos voltar mais inspirados e com novas ideias. Pelo mesmo motivo, todo conteúdo sobre bloqueio criativo recomenda pausas. E não é apenas achismo. Existe uma explicação científica por trás: “Isso se chama neuroplasticidade. O nosso cérebro tem a capacidade de construir e gerar novos caminhos e conexões neurais sempre que estimulado, mas para potencializar isso, devemos nos permitir relaxar (Nathalia Montenegro).” Como conciliar a produtividade e a criatividade? Desde que a criatividade se tornou um trabalho, com o surgimento até mesmo do cargo de criativo, estamos tentando engarrafá-la. Como se houvesse um método ou manual infalível para que ela surja magicamente no instante em que nos sentamos diante de um computador. O que existe e funciona são processos e hábitos. Da mesma forma que a obsessão pela produtividade acaba falhando, apostar no ócio também não é garantia. É preciso balanceá-los e ter disciplina. Você nem sempre vai fazer o seu melhor trabalho de todos, ou escrever o seu melhor texto. Algumas vezes, surge uma ideia incrível do nada. Outras, nem tanto. Você acaba escrevendo sobre produtividade, criatividade, bloqueio criativo e está tudo bem. Fica para uma próxima, só não pode deixar de escrever.
Antes de procurar, não decida o que encontrar

Não é todo dia que somos apresentados à uma ideia que muda nossa forma de pensar, mas foi o que aconteceu comigo. Não digo que ela mudou minha vida, porque o aprendizado ainda é muito recente, porém, afirmo que pode mudar a vida das pessoas e vou te mostrar como.