Em um mundo que decidiu enlouquecer, seja mais gentil

Em um mundo que decidiu enlouquecer, seja mais gentil

Último texto de um ano tão particular e extravagante, e também o artigo de número 80 no LinkedIn. Uma abordagem mais reflexiva é inevitável, mas prometo fazer meu melhor para não cair em clichês motivacionais que mais parecem canto de torcida. Não precisei pensar tanto para decidir sobre o que falar por aqui hoje. A resposta foi uma trilha sonora que me acompanha desde 2018, até marcada na pele, e que parece mesmo ter sido composta especificamente para o ano de 2020. Quer produzir algo atemporal? Escreva sobre crises e como amenizá-las. Em 2018, o cantor britânico Frank Turner lançou Be More Kind, um álbum dedicado para falar sobre como o mundo estava enlouquecendo, quando Donald Trump foi eleito. Dois anos depois, pode-se dizer que o mundo enlouqueceu um pouco mais e o disco, hoje, faz mais sentido do que nunca. Survival Blues não é uma expressão fácil de traduzir para o português, mas como traduz bem o ano de 2020. Seria algo que compila a melancolia e a melodia de sobrevivência. E a faixa 21st Century Survival Blues é uma das que mais parece profetizar o que viveríamos este ano — com uma dose de pessimismo que é contornada no decorrer do álbum: “Eu tenho a ‘melancolia de sobrevivência’ do século 21 — uma condição causada por assistir ao noticiário. As coisas estão quietas por muito tempo e, se eu conheço os seres humanos, elas vão dar errado.” — 21st Century Survival Blues, Frank Turner Be More Kind sugere o acontecimento de um apocalipse, com algumas doses de revolução, esperança e, principalmente, o desenvolvimento de conexões humanas no lugar do isolamento causado pelas mídias sociais. Como o próprio Turner diz em seu livro, Try This At Home: Adventures in Songwriting, o primeiro verso de um disco é um dos mais importantes para definir o tom do que virá a seguir: Não se preocupe se você não sabe o que fazer Apesar do foco otimista num momento dominado pelo pessimismo, Be More Kind não entrega falsas promessas e foge de chavões motivacionais. Isso fica nítido logo na primeira faixa: “Don’t worry if you don’t know what to do. I’ve spent a little time in worried shoes. I wore them out through walking, it wasn’t any use. Don’t worry if you don’t know what to do.” — Don’t Worry, Frank Turner (Essa não deu para traduzir, ou perderia a alegoria construída com worried shoes.) Em abril deste ano, escrevi um artigo dizendo que ter a humildade de admitir que não fazemos ideia do que está por vir é o primeiro passo para encarar qualquer crise. Apesar de ter esbarrado com alguns especialistas no mundo pós-pandemia, mantenho minha opinião. Não no sentido de tratar a ignorância como benção, mas de filtrar a quantidade de informações que consumimos e focar nossas ações no que está ao nosso alcance. Aqui, é inevitável lembrar também de Victor Frankl: “Forças além do seu controle podem tirar tudo o que você possui, exceto uma coisa: a sua liberdade de escolher como vai reagir à situação. Você não pode controlar o que acontece em sua vida, mas sempre pode controlar o que vai sentir e fazer a respeito do que acontece.” — Em Busca De Sentido, Victor Frankl Em um mundo que decidiu enlouquecer, seja mais gentil Em 2011, o escritor australiano Clive James foi diagnosticado com leucemia terminal e passou a escrever poemas que ele próprio batizou de “canções fúnebres”. Um desses poemas merece maior atenção: Leçons de Ténèbres — principalmente o seguinte trecho: “I should have been more kind. It is my fate To find this out, but find it out too late. (Eu deveria ter sido mais gentil. É meu destino Descobrir isso, mas descobrir tarde demais)” — Leçons de Ténèbres, Clive James Esses foram os versos que inspiraram a faixa que dá nome ao álbum, ao artigo e uma das músicas que mais tocou nos meus fones de ouvido nos últimos anos. E é essa a mensagem que o Frank Turner faz ecoar com maestria na canção Be More Kind. “Começaram a levantar muros ao redor do mundo,  Como os pêlo arrepiados de um gato encurralado Nas fronteiras, em nossas cabeças Entre coisas que podem e não podem ser ditas Paramos de falar um com o outro E há algo errado com isso” — Be More Kind, Frank Turner Embora os muros citados sejam uma clara referência aos planos de Trump para construir um muro na fronteira com o México, eles continuam fazendo sentido pensando no isolamento. Não apenas o isolamento social, mas principalmente o isolamento pelas mídias sociais. Com elas, criamos personagens. Tanto para nós mesmos, quanto para outras pessoas. Não é à toa que, em discussões online, encontramos absurdos que jamais seriam ditos para outras pessoas presencialmente — pelo menos não antes da internet. Além de normalizar esses absurdos, as mídias sociais se tornaram uma máquina para desumanizar desafetos. “Qualquer historiador amador lhe dirá que, no momento em que qualquer sociedade começa a tratar seus oponentes como menos que humanos, sérios problemas acontecem logo em seguida.” — Try This At Home: Adventures in Songwriting, Frank Turner Antes de procurar, não decida o que encontrar — é a sugestão do cantor, pouco antes de caminhar para o desfecho da música. Aqui, ele até apela para um clichê afirmando que o interlocutor não está sozinho, mas cria um cenário para ilustrar isso: O vento nos levou para o mar e onde fica a terra firme é difícil dizer. Enquanto a correnteza nos arrasta pela costa, não temos mais como saber quem está se afogando, ou se eles ainda podem ser salvos. “Quando você estiver perdido se debatendo Como um farol vou brilhar Sejam mais gentis, meus amigos, tentem ser mais gentis Em um mundo que decidiu Que vai perder a cabeça Sejam mais gentis, meus amigos, tentem ser mais gentis.” — Be More Kind, Frank Turner A ideia do farol pode parecer exagerada, romantizada ou até poética demais, mas não deixa de ser

5 dicas simples para ter melhores resultados com seus projetos pessoais

5 dicas simples para ter melhores resultados com seus projetos pessoais

Ao longo dos últimos três anos, tornou-se comum algumas pessoas me perguntarem se publicar no LinkedIn fazia parte do meu trabalho na Rock Content. Tanto de pessoas externas, quanto de colegas de trabalho — que chegavam a me perguntar se eu tinha alguma meta de engajamento relacionada aos meus artigos postados por aqui. E, na verdade, praticamente todos os conteúdos e textos que postei no LinkedIn até hoje foram produzidos no meu tempo livre. Assim como o curso de Escrita Criativa e Storytelling, que me tomou vários finais de semana para gravar e editar as aulas. Durante esse processo, aprendi na prática algumas lições que podem te ajudar bastante a tirar seus projetos do papel. Como essa reta final de ano costuma ser um período reflexivo para sonhar e planejar o que você deseja fazer no ano que vem, resolvi listar algumas dessas lições. São dicas simples, mas que podem te ajudar bastante a começar o ano novo com o pé direito e com seus projetos pessoais a todo vapor. 1. Se você não se levar a sério, ninguém mais vai levar Isso é crucial e é algo que pode minar projetos pessoais por muito tempo. É comum esperarmos pela validação de outras pessoas para trabalharmos em algo, mas ela só costuma vir quando você começa a ter resultados com seu projeto. Ou seja, aguardar essa validação é uma forma bem simples de procrastinar. Então, em vez de esperar, trabalhe para alcançá-la — como uma mera consequência, não como um objetivo. 2. Quebre seu projeto em blocos menores Se você usa o Instagram e consome conteúdo sobre produção de conteúdo por lá, certamente se lembrou do Tiago do @tira.do.papel ao ler esse tópico. Comigo, não foi diferente. Então, vou logo deixar o Tiago assumir por aqui:       3. Execute de forma a evitar a autossabotagem Além de quebrar seu objetivo em blocos, também acrescento a dica de entender a melhor ordem de executá-los para evitar que você se sabote. Quando comecei a gravar o curso de Escrita Criativa e Storytelling, por exemplo, eu tinha o costume de gravar e editar cada uma das aulas. E o resultado foi que acabei regravando, pelo menos, duas vezes cada uma das aulas antes de abrir as vagas para a 1ª turma. Depois, percebi que o perfeccionismo estava me deixando em um ciclo de regravação, pois sempre havia algum detalhe que me incentivava a refazer as aulas. Então, decidi gravar todas as aulas e, somente depois, editá-las. Em termos de produtividade, o processo se tornou bem mais dinâmico e ganhei bastante tempo. E quando fui editar as aulas, vê-las como um todo fez muito mais sentido e não foi mais necessário regravar tantas aulas como no começo. Por mais que seu projeto não envolva gravar um curso, provavelmente existe uma ordem mais simples para executar os blocos e identificá-la vai te poupar um belo tempo. 4. Planeje a longo prazo, execute a curto prazo É muito comum traçarmos planos do que queremos ser ou fazer daqui 5 meses, ou 5 anos. Supervalorizamos demais o que podemos fazer no futuro, mas subestimamos o que podemos começar a fazer ainda hoje. Agora que você já quebrou projeto em blocos menores e entendeu a melhor ordem para executá-lo, chegou o momento de colocá-lo em prática. 5. Esqueça o perfeccionismo e divulgue seu trabalho Certamente, você já ouviu várias frases de efeito como “feito é melhor do que perfeito”. O que elas nem sempre dizem é que o perfeccionismo nada mais é que outra forma de procrastinação. Você repete várias vezes que seu projeto ainda não está tão bom quanto gostaria, ou que ainda não está preparado para finalizá-lo, e segue na zona de conforto — procrastinando. Sempre haverá um livro que você precisa ler para se especializar e dificilmente haverá um momento ideal para divulgar seu trabalho. Em vez de almejar a perfeição, veja seu projeto como algo em constante construção e divulgue para coletar feedbacks. Isso vai ajudar a deixá-lo cada vez melhor. Uma dica bônus em clima de presente de Natal Se seu projeto pessoal tem a ver com produção de conteúdo, o Eduardo Lopes lançou essa semana aquele que talvez seja o primeiro curso do mundo de produção de conteúdo inspirado em Punk Rock — principalmente nos Ramones. É um curso rápido e direto ao ponto,  como o bom e velho Punk Rock, e não dura muito mais que um disco dos Ramones. Ele está disponível gratuitamente na Udemy até o dia 31/12/2020 e cobre alguns assuntos como: começar a produzir na internet conteúdo autêntico; driblar a barreira dos possíveis julgamentos; escolher um tema que seja a sua cara. Eu tive a felicidade de acompanhar um pouco dos bastidores da produção do curso, já me certifiquei e ainda tive a honra de participar, gravando uma aula bônus.Para aproveitar que o curso está gratuito, é só clicar aqui para aprender sobre produção de conteúdo as punk as possible.

Muito obrigado, Rock Content: o fim de um ciclo e os 3 principais aprendizados que carrego comigo

Muito obrigado, Rock Content: o fim de um ciclo e os 3 principais aprendizados que carrego comigo

Três anos atrás, eu estava maratonando cursos online gratuitos de marketing digital sem a menor ideia da repercussão que aquilo traria para minha vida. Quando me candidatei à vaga de Analista na Rock Content, queria ter alguma experiência trabalhando com marketing e, especialmente, trabalhando numa startup. Não fazia ideia de quanto tempo duraria e, menos ainda, do quanto daria certo. Em janeiro de 2018, meu primeiro dia na Rock começou com o então diretor de Marketing, Hank, me dizendo: “como você não tem experiência alguma com marketing, vou te dar 3 meses. Se você virar o analista de marketing que eu preciso, você continua.” Os três meses se passaram, e eu continuei. Agora, quase três anos depois, tomei uma das decisões mais difíceis da minha carreira: deixar a Rock para investir 100% nos meus projetos pessoais. Meu último dia trabalhando na Rock Content foi 11 de dezembro, exatamente uma semana atrás. Desde então, me dei uma espécie de folga das redes sociais enquanto refletia sobre o que escrever neste texto. Com essa folga, confesso que nutria alguma esperança de uma ideia brilhante surgir na minha cabeça, sobre como encerrar esse ciclo da melhor forma com um artigo. Porém, outra coisa que também ouvi do Hank no meu primeiro dia foi que o tempo na Rock passa no estilo dog years. O que aprendi e cresci enquanto trabalhava lá não parece caber numa linha temporal de 3 anos e, certamente, não caberá num artigo. Então, decidi escrevê-lo levando ao pé da letra uma filosofia que é um mantra para os rockers: “Faça o que você pode, com o que você tem, onde você está.” Embora a frase seja do ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, me acostumei tanto a ouvi-la do Edmar Ferreira que, hoje, é impossível ler essa frase sem a voz do Ed na minha cabeça. Uma hora para escrever e uma lição para cada ano. Valendo. 1. Compartilhar aprendizados é a melhor estratégia de produção de conteúdo Isso é algo que me acostumei a fazer desde os meus primeiros dias na Rock Content, muito por conta dos valores Aprender, Ensinar e Resolver promovidos pela cultura da empresa. Para você ter uma ideia, começar a escrever com frequência no LinkedIn foi uma vontade que surgiu rápido, mas somente depois de uma reunião com a minha gestora, Luiza Drubscky, decidi colocar em prática. A ideia, no começo, era bem simples: me tornaria bem ativo na rede, com foco principalmente em artigos e, depois, ensinaria o que aprendi na prática numa aula interna para a empresa. Essa aula aconteceu no segundo semestre de 2018, mas minha atuação no LinkedIn continuou com um objetivo bem parecido: documentar e compartilhar minha jornada de aprendizado. Hoje, me acostumei a perguntas como: qual foi sua estratégia para se tornar Top Voice? Você tinha alguma linha editorial para isso? E sempre respondo: um artigo por semana compartilhando algo novo que aprendi. Meu objetivo no LinkedIn sempre foi ser lido. Qualquer resultado além disso sempre foi — e continua sendo — consequência. Outra grande vantagem de compartilhar seus aprendizados é que isso te aproxima de outras pessoas percorrendo a mesma jornada que você. 2. Nada vai te impulsionar tanto na carreira quanto participar das Comunidades certas Entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2020, fui editor-chefe do blog da Comunidade Rock Content — o espaço destinado aos freelancers. Nesse período, aprendi na prática como funciona uma comunidade de verdade. Entre várias trocas, botecos dos Freelas, discussões sobre Toddy ou Nescau (cc. Amanda Gusmão e Bruna Moreira) e aprendizados, cresci junto com a nossa comunidade. Trocamos de persona várias vezes, a cara do blog mudou, deixamos de usar capas com ilustrações e tudo foi se tornando cada vez mais profissional. E eu pude pegar carona nesse crescimento. Em janeiro de 2018, o blog teve 148 mil sessões. Hoje, ultrapassamos a marca de um milhão de sessões por mês. Fugindo dos números para falar dos verdadeiros resultados, o projeto na Comunidade que mais me ensinou também foi meu favorito: a Coluna Freela. Ou as colunas freelas, que já são mais de 60 textos escritos por mais de 50 autores e autoras diferentes. Foi incrível conhecer de perto a história dos membros da Comunidade e foi também a Coluna Freela que me esclareceu a minha função na Rock até então — ajudar cada um dos freelancers a conquistar o sucesso, a visibilidade e a autoridade que merecem. A cereja do bolo desses dois anos foi o vídeo a seguir, que também funciona como um belo resumo das Colunas Freelas. Para tomar a decisão de deixar a Rock Content, não foi nada fácil, mas teve outra Comunidade que me encorajou demais. A cada vez que eu ficava reflexivo e na dúvida se estava tomando a decisão certa, tirava o celular do bolso e me deparava com mais de 300 notificações no grupo da comunidade do curso de Escrita Criativa e Storytelling. Várias vezes, isso funcionou como um sinal de “fica tranquilo que vai dar tudo certo”. Não apenas pelo número de notificações, mas pelo nível das interações. Num post recente, falei que, ao lançar a primeira turma do curso de Escrita Criativa e Storytelling, tinha um sonho de criar uma verdadeira Comunidade para escritores e produtores de conteúdo. Hoje, ela já superou todas as minhas expectativas e se tornou um dos canais onde eu mais aprendo. Para você ter uma ideia melhor da maravilha que esse grupo no Telegram se tornou, é só conferir o artigo da Marinella. 3. O que te trouxe até aqui não vai te levar onde você quer ir Essa lição já apareceu num dos primeiros artigos que publiquei no LinkedIn, mas é impossível não reproduzi-la aqui. Pense em tudo o que você fez e realizou para chegar onde você está nesse exato momento e sinta orgulho. Tenho certeza que o caminho não foi fácil, o de ninguém é. Mas, para alcançar seu próximo objetivo, prepare-se para percorrer outro caminho ainda mais longo. Foi com essa mentalidade

Meus últimos textos foram todos rascunhos

Faz um bom tempo desde a última vez que abri o LinkedIn e apertei o botão publicar e, para voltar de vez, nada melhor do que explicar por que decidi dar uma sumida nessas últimas semanas. Na verdade, não sei exatamente quantas semanas foram e prefiro nem conferir pelo LinkedIn, porque me dei uma meta de somente abri-lo para publicar o texto. Mas, se você conferir minha última publicação, certamente elas já inteiraram um mês. Calma que este não será um artigo falando sobre o perigo das redes sociais fazendo referência ao documentário da Netflix. Não preciso estar ativo por aqui para imaginar que você se deparou com inúmeros posts assim. Neste texto, as mídias sociais são apenas parte da obra. Uma parte, aliás, que ganhou muito mais importância do que deveria, como o coadjuvante engraçadinho que ganha um filme solo e te decepciona. O privilégio do home office Desde que a quarentena começou e passei a trabalhar em home office, comecei a viver diante de alguma tela. Um privilégio gigantesco, diga-se de passagem, pois mantive meu trabalho como CLT e não precisei abrir mão de nenhum projeto pessoal. Um privilégio gigantesco que me permitiria escapar das horas perdidas no trânsito e ainda estender meu dia. Só que essas horas continuaram perdidas entre um monitor, um computador e um celular. Agora que o clássico papo sobre clima dentro dos elevadores não é mais possível para quebrar o gelo, comentar sobre como passamos a trabalhar mais tempo de casa se tornou o gancho perfeito numa videoconferência. A previsão do tempo de hoje é de algumas horas extras. E até daria para culpar o regime CLT pelo meu sumiço e colocar um ponto final, mas seria o caminho mais fácil. Até porque nunca houve ninguém me cobrando trabalhar horas a mais. O que houve foi uma grande comoção para nos adaptarmos à nova realidade e o tal do novo normal exigia alguns minutinhos extras ao final de cada dia. Nos pequenos intervalos, de volta às redes sociais As mídias sociais se tornaram o grande alento para interação depois que o confinamento começou, foi o que disseram. E por força do hábito, sempre conferia o que havia de novo no feed do LinkedIn, ou do Instagram. Escolha sua rede preferida. Depois de rolar o feed por tempo o bastante, você já faz ideia do que vai encontrar por lá. Escolha também a sua referência favorita. O filme da marmota, que atende pelo nome oficial de Feitiço do Tempo, em que Bill Murray acorda sempre na mesma manhã para reviver o mesmo dia. Ou a música Everyday is Exactly the Same, da banda norte-americana Nine Inch Nails. Rola a tela até um print da última ação de marketing que bombou na internet. Se você apertou o play na música, tem uma boa chance do Trent Reznor ter começado a cantar agora: I believe I can see the future. Rola a tela até outro print dessa mesma ação, e outro, e outro. É mais uma questão de bater o ponto e marcar presença, nem o texto parece mudar. Ctrl C + Ctrl V + O que você achou? O verdadeiro dilema das redes é a dicotomia. Você gostou do documentário: sim ou não? Você gostou deste texto: sim ou não? E nem precisa terminar de ler. Nesse ponto, é bem provável que tenha uma opinião formada, mesmo sem saber qual rumo ele pode tomar. Rola a tela até uma história surreal de alguém que começou do absoluto zero, teve uma epifania, mudou drasticamente sua vida e… ah, é mais um curso online. Ou mais uma edição das fanfics corporativas. Às vezes, fica difícil separar esses dois gêneros. Seja resiliente o bastante e você se depara com uma agulha no palheiro, um conteúdo digno de se compartilhar. Ele costuma aparecer depois que você encontra pelo menos três conteúdos sobre resiliência, ou a buzzword de sua preferência. Rola o feed até uma imagem que apresenta uma nova funcionalidade. Ela diz que basta clicar duas vezes, e eu atendo. Um clique no ícone quadrado para mostrar os aplicativos abertos e outro, para arrastar para cima e me livrar das redes sociais pelas próximas horas, ou minutos. Por força do hábito, esse foi o feed que me acostumei a ver. Uma nova forma de fechar o expediente De volta ao trabalho, não é tão difícil saber que já são 19h. Nem precisa consultar relógio algum. Em vez de badaladas, é só contar três notificações de lives começando no Instagram. Fim do expediente e essa é a hora do dia que vem a lembrança que não publiquei nada na semana anterior, enquanto continuo acumulando uma legião de documentos sem título no Google Drive. Meus últimos artigos foram todos rascunhos. Só que essa é a hora do dia que a última coisa que quero ver na minha frente é uma tela — apesar de manter o celular a um esticar de braço. Por força do hábito, passei tanto tempo imerso nessa rotina de escrita, produção de conteúdo e redes sociais que não sei dizer quando foi a última vez que havia me dado uma folga. De tanto falar em gerar valor e servir ao leitor, fui esquecendo de fazer isso para mim. Até mesmo minhas férias anteriores como CLT foram dedicadas para intensificar a atuação por aqui. E de tanto me pressionar a postar com frequência e interagir na mesma intensidade, minha obsessão por ser mais produtivo foi matando a minha criatividade e isso até me pareceu uma bela ideia de pauta. Mas eu já havia vivenciado e escrito isso em agosto de 2019. Aliás, uma das grandes vantagens de escrever é a oportunidade constante de encontrar seus erros, atuais ou antigos. Dessa vez, o erro era atual. Todo dia era exatamente o mesmo, meu agosto se resumiu a exaustão e passei o mês praticamente em branco. Rola a tela até o post que diz: “quem não é visto não é lembrado… quando falta motivação, você precisa se garantir na

Se não respeitarmos nossas vidas além das redes sociais e do trabalho, ninguém mais vai respeitar

Se não respeitarmos nossas vidas além das redes sociais e do trabalho, ninguém mais vai

Faz um bom tempo desde a última vez que abri o LinkedIn e apertei o botão publicar e, para voltar de vez, nada melhor do que explicar por que decidi dar uma sumida nessas últimas semanas. Na verdade, não sei exatamente quantas semanas foram e prefiro nem conferir pelo LinkedIn, porque me dei uma meta de somente abri-lo para publicar o texto. Mas, se você conferir minha última publicação, certamente elas já inteiraram um mês. Calma que este não será um artigo falando sobre o perigo das redes sociais fazendo referência ao documentário da Netflix. Não preciso estar ativo por aqui para imaginar que você se deparou com inúmeros posts assim. Neste texto, as mídias sociais são apenas parte da obra. Uma parte, aliás, que ganhou muito mais importância do que deveria, como o coadjuvante engraçadinho que ganha um filme solo e te decepciona. O privilégio do home office Desde que a quarentena começou e passei a trabalhar em home office, comecei a viver diante de alguma tela. Um privilégio gigantesco, diga-se de passagem, pois mantive meu trabalho como CLT e não precisei abrir mão de nenhum projeto pessoal. Um privilégio gigantesco que me permitiria escapar das horas perdidas no trânsito e ainda estender meu dia. Só que essas horas continuaram perdidas entre um monitor, um computador e um celular. Agora que o clássico papo sobre clima dentro dos elevadores não é mais possível para quebrar o gelo, comentar sobre como passamos a trabalhar mais tempo de casa se tornou o gancho perfeito numa videoconferência. A previsão do tempo de hoje é de algumas horas extras. E até daria para culpar o regime CLT pelo meu sumiço e colocar um ponto final, mas seria o caminho mais fácil. Até porque nunca houve ninguém me cobrando trabalhar horas a mais. O que houve foi uma grande comoção para nos adaptarmos à nova realidade e o tal do novo normal exigia alguns minutinhos extras ao final de cada dia. Nos pequenos intervalos, de volta às redes sociais As mídias sociais se tornaram o grande alento para interação depois que o confinamento começou, foi o que disseram. E por força do hábito, sempre conferia o que havia de novo no feed do LinkedIn, ou do Instagram. Escolha sua rede preferida. Depois de rolar o feed por tempo o bastante, você já faz ideia do que vai encontrar por lá. Escolha também a sua referência favorita. O filme da marmota, que atende pelo nome oficial de Feitiço do Tempo, em que Bill Murray acorda sempre na mesma manhã para reviver o mesmo dia. Ou a música Everyday is Exactly the Same, da banda norte-americana Nine Inch Nails. Rola a tela até um print da última ação de marketing que bombou na internet. Se você apertou o play na música, tem uma boa chance do Trent Reznor ter começado a cantar agora: I believe I can see the future. Rola a tela até outro print dessa mesma ação, e outro, e outro. É mais uma questão de bater o ponto e marcar presença, nem o texto parece mudar. Ctrl C + Ctrl V + O que você achou? O verdadeiro dilema das redes é a dicotomia. Você gostou do documentário: sim ou não? Você gostou deste texto: sim ou não? E nem precisa terminar de ler. Nesse ponto, é bem provável que tenha uma opinião formada, mesmo sem saber qual rumo ele pode tomar. Rola a tela até uma história surreal de alguém que começou do absoluto zero, teve uma epifania, mudou drasticamente sua vida e… ah, é mais um curso online. Ou mais uma edição das fanfics corporativas. Às vezes, fica difícil separar esses dois gêneros. Seja resiliente o bastante e você se depara com uma agulha no palheiro, um conteúdo digno de se compartilhar. Ele costuma aparecer depois que você encontra pelo menos três conteúdos sobre resiliência, ou a buzzword de sua preferência. Rola o feed até uma imagem que apresenta uma nova funcionalidade. Ela diz que basta clicar duas vezes, e eu atendo. Um clique no ícone quadrado para mostrar os aplicativos abertos e outro, para arrastar para cima e me livrar das redes sociais pelas próximas horas, ou minutos. Por força do hábito, esse foi o feed que me acostumei a ver. Uma nova forma de fechar o expediente De volta ao trabalho, não é tão difícil saber que já são 19h. Nem precisa consultar relógio algum. Em vez de badaladas, é só contar três notificações de lives começando no Instagram. Fim do expediente e essa é a hora do dia que vem a lembrança que não publiquei nada na semana anterior, enquanto continuo acumulando uma legião de documentos sem título no Google Drive. Meus últimos artigos foram todos rascunhos. Só que essa é a hora do dia que a última coisa que quero ver na minha frente é uma tela — apesar de manter o celular a um esticar de braço. Por força do hábito, passei tanto tempo imerso nessa rotina de escrita, produção de conteúdo e redes sociais que não sei dizer quando foi a última vez que havia me dado uma folga. De tanto falar em gerar valor e servir ao leitor, fui esquecendo de fazer isso para mim. Até mesmo minhas férias anteriores como CLT foram dedicadas para intensificar a atuação por aqui. E de tanto me pressionar a postar com frequência e interagir na mesma intensidade, minha obsessão por ser mais produtivo foi matando a minha criatividade e isso até me pareceu uma bela ideia de pauta. Mas eu já havia vivenciado e escrito isso em agosto de 2019. Aliás, uma das grandes vantagens de escrever é a oportunidade constante de encontrar seus erros, atuais ou antigos. Dessa vez, o erro era atual. Todo dia era exatamente o mesmo, meu agosto se resumiu a exaustão e passei o mês praticamente em branco. Rola a tela até o post que diz: “quem não é visto não é lembrado… quando falta motivação, você precisa se garantir na

O dia em que Johnny Cash calou a Casa Branca

O dia em que Johnny Cash calou a Casa Branca

Para essa semana, eu tinha um texto pronto. Tirei um tempinho no final semana, planejei um calendário editorial e já tinha um artigo no jeito, faltava apenas publicar. Só que, diante dos últimos acontecimentos e de uma semana ainda mais atípica que as últimas, esse texto não reflete nem de perto o que eu gostaria de escrever hoje. Joguei ele de volta para a gaveta e até cogitei não publicar um artigo essa semana. Então, me lembrei de uma história que se encaixa perfeitamente com o momento que estamos vivendo.  Sobre o dia que Johnny Cash tocou na Casa Branca e bateu de frente com o presidente dos EUA, Richard Nixon. Resumindo assim, parece que foi tudo bem simples e direto, mas não. A lenda do Country, por muito tempo, posicionou-se a favor do governo e do presidente sem se preocupar com o contexto. Ele era um conservador extremista, porque foi criado assim pelos seus pais. Não à toa, recebeu o convite para tocar na Casa Branca diante do presidente. O que Nixon não sabia era o tanto que o repertório seria diferente do que ele esperava. Mas, antes de chegarmos lá, precisamos conversar sobre as semelhanças entre os anos 70 de Nixon e os dias em que vivemos. Lembra daquela máxima de que a história se repete? “Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas.” — Jean-Baptiste Alphonse Karr Semelhanças entre os EUA dos anos 70 e o que vivemos hoje Esse tópico sozinho renderia um livro, tamanhas são as semelhanças entre os dois momentos e, principalmente, entre a postura dos presidentes Richard Nixon e Donald Trump. Tanto que Bob Woodward, um dos jornalistas responsáveis por desvendar o escândalo que levou à renúncia de Nixon, escreveu um livro sobre o atual presidente — Medo: Trump na Casa Branca. Como o foco aqui não é construir esse paralelo, vou apenas levantar alguns pontos que exemplificam bem como os dois momentos são similares. No final da década de 60, os movimentos pelos Direitos Civis e contra a Guerra no Vietnã tomavam conta dos Estados Unidos. O país estava dividido por questões de raça, guerra, paz e uma batalha pelo que significava ser um americano patriota — confiar em seu presidente ou desafiá-lo? A campanha de Nixon que o levou à presidência foi graças aos votos do Sul, apostando principalmente no medo que os sulistas segregacionistas tinham do movimento dos direitos civis. Se hoje temos uma pandemia para agravar alguns posicionamentos de Trump. Com Nixon, era a guerra do Vietnã, que colaborou para a polarização do país entre os Pombos, que manifestavam-se pelo seu fim, e os Falcões, que eram a favor dela. Uma guerra que ele prometeu dar um fim quando foi eleito, mas que acabou estendendo por mais quatro anos e levou à morte de 20 mil soldados norte-americanos e mais de 1 milhão de vietnamitas. Olhando diretamente para os presidentes, os temperamentos explosivos e o ódio presente nos discursos são semelhanças absurdas. E o próprio Trump já alegou ter aprendido com Nixon ao não demitir o conselheiro especial que investigava possíveis interferências russas em sua eleição: “Eu acompanhei Richard Nixon demitindo todo mundo, e isso não terminou muito bem.” — Donald Trump Como você provavelmente notou, muitas dessas semelhanças e paralelos também cabem com o nosso Brasil de hoje. Por isso, essa história é tão importante. Johnny Cash entra em cena Um dos discursos mais marcantes de Nixon foi em 1969. Enquanto milhares de jovens se manifestavam nas ruas pelo fim da guerra, ele pediu o apoio da “minoria silenciosa” para estendê-la e ainda afirmou que a juventude manifestante não representavam o futuro dos EUA. “O ‘combustível radical’ que vocês veem nas suas televisões noite após noite, eles não são a maioria da juventude americana de hoje e não serão os líderes da América amanhã.” — Richard Nixon Após ouvir o posicionamento do presidente, Johnny Cash o apoiou, assim como a maioria dos sulistas. Afinal, patriotismo para ele era apoiar o presidente — tanto que ainda fez questão de anunciar isso em seu programa de auditório, The Johnny Cash Show. Bastou fazer o anúncio que o convite para se apresentar na Casa Branca foi imediato. O cantor representava Nashville, a música Country e poderia fazer milagres pela popularidade de Nixon. Junto com o convite, vieram duas sugestões de músicas do presidente para o repertório: Okie from Muskogee, de Merle Haggard: uma sátira sobre o movimento contra a guerra; Welfare Cadillac, de Guy Drake: “sobre um pai inepto que depende de ‘tolos’ que pagam impostos para financiar seu novo carro e alimentar sua família”, como o New York Times descreveu na época. A repercussão foi péssima e, ao mesmo tempo, gerou uma expectativa enorme em torno da apresentação de Johnny Cash na Casa Branca. Era difícil prever qual seria o “Johnny Cash desse show exclusivo”. O cantor que declarou apoio ao presidente em mídia nacional? Ou o que fazia turnês em presídios desafiando as recomendações de seus diretores? Antes da Casa Branca, uma turnê no Vietnã Quatro meses antes da apresentação na Casa Branca, marcada para 17 de abril de 1970, ele decidiu viajar para se apresentar para os soldados norte-americanos e contribuir da forma que estava ao seu alcance. Era dezembro de 1969 e o cantor viajou para o Vietnã acompanhado de sua esposa, June Carter. O choque de realidade dessa visita foi nítido e ficou registrado na canção Singin’ in Vietnam Talkin’ Blues, lançada em 71, que traz uma narrativa do que ele viveu em Saigon: “Fechamos a noite com uma última música e nos arrastamos para a cama para um pouco de paz e tranquilidade. Mas não havia paz, não havia tranquilidade (…) Dormimos alguns minutos, quando um soldado bateu na nossa porta e disse que, na noite anterior, trouxeram sete mortos e quatorze feridos.”   — Singin’ in Vietnam Talkin’ Blues, Johnny Cash Depois de ver a guerra de perto, o cantor de Country viu em sua voz a oportunidade de ir além

Por que decidi (finalmente) profissionalizar meu Instagram e como você pode começar?

Por que decidi (finalmente) profissionalizar meu Instagram e como você pode começar?

Depois de tanto tempo enrolando para profissionalizar meu perfil Instagram, quando tento justificar o porquê disso, chega a ser ridículo.  É estranho. Especialmente porque, no LinkedIn, venho levantando várias bandeiras que deveriam me incentivar a publicar por lá também. Já trouxe, por exemplo, um artigo descrevendo a importância de começar logo a escrever para encontrar sua voz e buscar se inspirar em suas referências, mesmo que isso signifique iniciar sem se julgar preparado. Também já falei sobre a importância de entender que seu trabalho não é para todo mundo. Por mais que soe como algo óbvio, num contexto de artigos e marca pessoais, temos dificuldades de enxergar a situação com a mesma leveza. Entender isso é libertador. Tanto ao lidar com críticas, quanto ao não deixar de transmitir suas ideias por medo de desagradar possíveis leitores. Porém, basta trocar o cenário do LinkedIn para o Instagram e eu não estava aplicando nada disso. Precisei publicar mais de 70 artigos para finalmente criar vergonha na cara. Por que decidi apostar no Instagram? Chutando para baixo, esses textos devem render em torno de 70 mil palavras. Para quem trabalha com escrita, dá para ter uma noção que isso é bastante conteúdo. E o pior, muito conteúdo mal aproveitado. Ou mal divulgado, como preferir. Porque publico os textos no meu blog, no LinkedIn, divulgo para os assinantes da minha Newsletter e fim. Apostei demais na máxima que o bom conteúdo se promove sozinho e sempre deixei meu foco quase exclusivo na produção, com a divulgação funcionando na base do mínimo esforço. O resultado foi que negligenciei por muito tempo qualquer forma de divulgação que exigisse algo além da escrita, por mais fácil e simples que fosse. Hoje, entendi que estava fazendo a parte mais trabalhosa e deixando a mais simples de lado. Se você já vem escrevendo artigos e produzindo conteúdos autênticos por aqui, não cometa esse mesmo erro. Mas se escrevo textos, o que vou fazer no Instagram? Antes, ao visitar o meu perfil, você veria algo como isso: Família, namorada, amigos, shows e o cenário onde gravo as aulas do meu curso. Tudo isso numa frequência de publicações mensais. Se você chegasse até o meu perfil depois de me conhecer pelo LinkedIn, não havia razão alguma para me acompanhar por lá. A solução para isso foi bem simples e estruturada em dois formatos de conteúdo novos: Versões enxutas dos artigos que escrevo Em vez de simplesmente apresentar o artigo e anunciar que o link tá na bio, faço um resumo dos principais pontos do texto e crio uma versão reduzida dele. Transformar mil palavras (ou mais) em menos 2.200 caracteres, inclusive, é um exercício de escrita fantástico. Você precisa captar a principal ideia que queria transmitir com o artigo e remover dele tudo o que não for crucial para construí-la.  É uma excelente maneira de entender os pontos dos seus textos onde as pessoas estão se dispersando e um excelente incentivo para revisitar seus textos antigos. https://www.linkedin.com/pulse/para-desenvolver-criatividade-voc%C3%AA-precisa-revisitar-seus-vieira/ Citações e dicas de livros Se, em algum momento, você leu algum outro artigo meu, muito provavelmente já sabe que adoro citações. Um dos hobbies mais antigos que carrego comigo junto da leitura é colecionar citações. Tenho inclusive um caderno para me ajudar com isso: Comecei com esse hábito em 2012: se um trecho do livro me chamava a atenção por algum motivo, eu parava a leitura e tirava uma foto, para passar a limpo depois. Com o Kindle, ficou mais fácil destacar os trechos que mais gosto e, mesmo sem passá-los a mão depois, consigo acessar minhas principais anotações de qualquer livro em questão de instantes. Uma vez por semana, procuro relembrar alguma delas e compartilho no Instagram. E faço isso com o mesmo prazer que reviro fotos de viagens antigas. Tudo bem simples, feito à base de Google Slides mesmo e já deixou meu perfil com uma cara muito mais profissional e convidativa. Agora, se você chegar procurando conteúdos sobre Escrita Criativa e Storytelling, as chances de você ficar são significativamente maiores. Claro, para fechar, a dúvida que me fez enrolar por mais tempo. Mas minha conta é pessoal. Faz sentido postar meus conteúdos lá? Esse foi o motivo que mais atrasou o processo de profissionalizar meu perfil no Instagram. Acabei vendo que vários amigos não faziam ideia do que eu faço profissionalmente — por culpa minha — e que o pior que acontece são prints em grupos de WhatsApp acompanhados de acusações de blogueirinho. Por que foi que não comecei antes mesmo?

Dimitri Vieira | Escreva sua Marca ® ltda | © COPYRIGHT – 2025 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

dimitrivieira.com | 2018 – 2025 | eu@dimitrivieira.com